Brasil
23 de janeiro de 2026

1. Acordo União Europeia-Mercosul congelado
O Parlamento Europeu decidiu pausar o acordo União Europeia-Mercosul, encaminhando-o para o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) para que seja avaliada sua compatibilidade com os tratados do bloco. Essa medida, aprovada por uma margem apertada de votos (334 a 324), interrompe a tramitação do pacto por um período estimado de 18 a 24 meses, até que os juízes emitam um parecer.
A principal razão para essa paralisação vem de questionamentos sobre a base legal da ratificação – que poderia permitir a aprovação sem o aval dos parlamentos nacionais – e o mecanismo de reequilíbrio, que, segundo críticos, poderia comprometer a autonomia regulatória da UE em temas como meio ambiente e padrões sanitários. A Comissão Europeia lamentou a decisão, reforçando a importância “vital” do acordo, enquanto países como a Alemanha criticam a pausa e defendem a sua aplicação provisória imediata, devido à relevância estratégica do pacto.
Exame: Europa pausa acordo EU-Mercosul e tratado deve ir ao Tribunal Europeu
2. Boletim Focus aponta queda da inflação em 2026
O Boletim Focus do Banco Central do Brasil apontou uma ligeira melhora na expectativa de inflação para 2026, com o IPCA recuando para 4,02% pela segunda semana consecutiva, enquanto as projeções para 2027 e 2028 permanecem estáveis em 3,80% e 3,50%, respectivamente. Outros indicadores de inflação, como IGP-M e preços administrados, também mostram estabilidade, sugerindo uma visão de controle no médio prazo.
Por outro lado, a projeção da taxa Selic para 2028 foi revisada para cima, atingindo 10%, marcando a segunda alta consecutiva e indicando que o mercado antecipa juros elevados por um período mais longo. As expectativas para o crescimento do PIB se mantêm estáveis em 1,80% para 2026 e 2% a partir de 2028, e o câmbio permanece em R$ 5,50 para 2026 e 2027, com pequenas elevações para os anos seguintes.
InfoMoney: Boletim Focus aponta queda da inflação em 2026 e mostra alta da Selic em 2028
3. FMI reduz previsão de crescimento do Brasil para 2026
O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou suas projeções para o crescimento econômico do Brasil, com um corte na expectativa para 2026, que caiu 0,3 ponto percentual para 1,6%. Essa redução é majoritariamente atribuída à política monetária restritiva adotada para conter a inflação, com a taxa Selic mantida em 15%. Em contraste, houve uma melhora nas previsões para 2027, que subiu para 2,3%.
Essas estimativas posicionam o Brasil com um crescimento abaixo das projeções para a América Latina e Caribe (2,2% em 2026) e para o grupo de Economias de Mercados Emergentes e em Desenvolvimento (4,2% no mesmo período). A manutenção da alta taxa Selic é um fator chave, e o mercado aguarda os próximos passos do Banco Central em relação a possíveis cortes nos juros, o que poderá influenciar as perspectivas futuras.
CNN Brasil: FMI reduz projeção para crescimento econômico do Brasil em 2026
4. Capital estrangeiro impulsionou bolsa brasileira em 2025
Investidores estrangeiros injetaram mais de R$ 2,8 trilhões em ações na bolsa brasileira em 2025, um aumento de 15% em relação ao ano anterior. Esse volume expressivo fez com que os não residentes fossem responsáveis por 62% das negociações com ações e movimentassem um total de R$ 3,5 trilhões de reais no mercado à vista, incluindo outros ativos. Essa participação massiva reflete um forte interesse e confiança no mercado brasileiro de capitais.
A injeção de capital estrangeiro foi um fator chave para o excelente desempenho do mercado brasileiro em 2025. O Ibovespa registrou sua melhor performance desde 2016, com alta acumulada de 33,7% e 32 recordes de fechamento. Paralelamente, o real também teve sua maior valorização frente ao dólar desde 2016, com queda de 11,19% na cotação da moeda americana, consolidando um ano robusto para os ativos nacionais.
Folha de S.Paulo: Estrangeiros movimentaram R$ 2,8 trilhões em ações na Bolsa em 2025, alta de 15%
5. Varejo brasileiro fecha 2025 em queda
O varejo brasileiro encerrou 2025 com uma retração de 0,5% no volume de vendas, conforme o Índice do Varejo Stone (IVS), apontando uma desaceleração progressiva do setor. Segundo economistas, o principal motivo é o ambiente financeiro mais restritivo, caracterizado por juros elevados, crédito mais caro e um alto nível de endividamento das famílias, o que limitou o consumo, especialmente de bens de maior valor. Em dezembro de 2025, a queda foi ainda mais acentuada, com -1,5% em relação a dezembro de 2024.
No acumulado do ano, poucos segmentos registraram crescimento, como Móveis e Eletrodomésticos e Artigos Farmacêuticos, enquanto Combustíveis, Hipermercados e Tecidos/Vestuário sofreram quedas significativas. Regionalmente, apenas alguns estados no Nordeste e Norte apresentaram alta, como Piauí e Alagoas, devido à resiliência do consumo essencial. A maioria dos estados, no entanto, enfrentou retrações, evidenciando o impacto generalizado das condições financeiras apertadas.
InfoMoney: Varejo brasileiro fecha 2025 com queda de 0,5%, aponta Índice do Varejo Stone