Brasil
4 de setembro de 2026

Uma edição histórica (e um olhar para o futuro)
Esta edição do “5 Pontos JeffreyGroup” tem um sabor especial: depois de oito anos, esta é a última publicação neste formato! Como a evolução é um processo natural e o mercado exige análises cada vez mais dinâmicas, estamos preparando um boletim inédito e reformulado, focado nas principais tendências que movimentam o mundo. Fique de olho na sua caixa de entrada nas próximas semanas! Por ora, aproveite a leitura dos 5 temas que pautaram a semana.
1. PIB cresce 0,5% no 2º trimestre puxado pelo agronegócio, mas qualitativo preocupa
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil registrou crescimento de 0,5% no segundo trimestre de 2026, na comparação com os três meses anteriores, superando levemente as expectativas do mercado. O avanço foi impulsionado pelo setor agropecuário, que saltou 2,8% com o bom desempenho das safras de soja e café. Em valores correntes, a atividade econômica somou R$ 3,4 trilhões. O setor de serviços e a indústria apresentaram altas marginais de 0,2% e 0,1%, respectivamente.
Apesar do resultado positivo no índice geral, economistas alertam para a perda de tração na qualidade do crescimento. O consumo das famílias, principal motor da economia interna, encolheu 0,4%, refletindo os impactos da taxa básica de juros elevada e o endividamento da população. A indústria de transformação e a construção civil também registraram retração de 0,4%. Analistas apontam que a dependência de setores exportadores mascara a desaceleração da economia doméstica, que sofre os efeitos de condições de crédito mais restritas.
Exame: PIB do Brasil cresce 0,5% no 2º trimestre de 2026, puxado pela agropecuária
e Valor Econômico: Qualitativo do PIB pior do que resultado sugere, apontam economistas
2. Governo e mercado divergem sobre as estimativas do Orçamento de 2027
O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 tem gerado debates devido às divergências entre as premissas do governo federal e as expectativas do mercado financeiro. Enquanto a equipe econômica projeta um crescimento do PIB de 2,46% para o próximo ano, analistas avaliam um avanço mais contido, em torno de 1,5%. O governo baseia sua previsão de arrecadação no otimismo da atividade econômica para atingir o superávit primário, mas o mercado demonstra ceticismo, alertando que a taxa de juros pode frear o consumo.
A rigidez das contas públicas é outro ponto de tensão na discussão fiscal. A própria administração federal admitiu que, sem uma ampla revisão das despesas obrigatórias — fortemente pressionadas pelas indexações a reajustes salariais e benefícios —, podem faltar recursos para a manutenção de políticas públicas e da máquina pública a partir de 2028. Com a margem para investimentos (despesas discricionárias) cada vez mais espremida, o mercado teme pelo descumprimento das regras do arcabouço fiscal no médio prazo.
CNN Brasil: Entenda divergências entre governo e mercado sobre Orçamento de 2027
e O Globo: Sem revisão de gastos, pode faltar recursos para políticas públicas a partir de 2028, admite governo
3. PEC que propõe o fim da escala de trabalho 6×1 avança no Senado
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece o fim da jornada de trabalho 6×1. O texto prevê a redução da carga horária máxima semanal de 44 para 40 horas, garantindo dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial para os trabalhadores. A matéria estabelece uma transição gradual, com a jornada caindo para 42 horas após 60 dias da promulgação e chegando a 40 horas no prazo de 12 meses.
Com a aprovação na comissão, o projeto segue agora para o plenário do Senado, sua última etapa na Casa, onde precisará do apoio de pelo menos 49 senadores em dois turnos de votação. Enquanto centrais sindicais celebram o avanço como um ganho fundamental para a saúde e a qualidade de vida dos trabalhadores, setores empresariais, como o comércio e a construção civil, expressam profunda preocupação com os prováveis impactos na folha de pagamento e na dinâmica de contratações.
Folha de S.Paulo: Comissão aprova fim da escala 6×1 e votação vai a último estágio no plenário do Senado
4. Novo marco de incentivo a data centers avança para sanção presidencial
O Senado Federal aprovou o Projeto de Lei que institui o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata). O texto prevê a isenção de impostos federais — como Imposto de Importação, PIS, Cofins e IPI — por até cinco anos na compra de equipamentos e componentes eletrônicos importados para infraestrutura de processamento de dados. A medida, que agora aguarda sanção presidencial, busca baratear os custos e posicionar o Brasil de forma mais competitiva na corrida global da inteligência artificial.
Para acessar as isenções fiscais, cujo impacto é estimado em bilhões, as empresas deverão cumprir contrapartidas específicas ao longo do tempo. O programa exige a destinação de ao menos 10% da capacidade dos data centers ao mercado nacional, além de investimentos obrigatórios de 2% em pesquisa e inovação tecnológica no país. Há também exigências voltadas à sustentabilidade, incluindo a comprovação do uso de fontes renováveis de energia e rigorosos índices de eficiência no consumo hídrico.
Estadão: Senado aprova projeto que cria incentivos para instalação de data centers no Brasil
5. Senado aprova política de minerais críticos com foco na transição energética
O Senado Federal aprovou o Projeto de Lei que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, também chamado de “PL das terras raras”. O texto estabelece fundos e créditos tributários que devem criar incentivos bilionários para fomentar a pesquisa, o beneficiamento e a transformação local desses recursos no país. A medida, encaminhada para sanção presidencial, visa posicionar o Brasil de forma autônoma na cadeia produtiva global voltada para fabricação de baterias, veículos elétricos e energia limpa.
Embora os setores produtivo e acadêmico elogiem a busca pela industrialização e soberania diante do avanço de potências estrangeiras, o projeto levantou críticas na seara ambiental. Especialistas alertam para os riscos do aumento massivo das áreas extrativistas sem o estabelecimento de salvaguardas rigorosas de proteção no texto da lei. Faltaram, segundo essas organizações, mecanismos mais robustos sobre avaliações de impacto ambiental e obrigatoriedades para consultas prévias e reparação de comunidades e territórios afetados.