Brasil
16 de janeiro de 2026

1. Lula sanciona Orçamento de 2026 com vetos e bloqueios
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei Orçamentária Anual de 2026 com vetos a cerca de R$ 400 milhões em emendas parlamentares e anunciou o bloqueio adicional de aproximadamente R$ 11 bilhões em recursos cuja destinação ficaria a cargo do Congresso. O Orçamento total da União soma R$ 6,54 trilhões, com cerca de R$ 50 bilhões reservados para emendas. Segundo o Palácio do Planalto, os vetos atingem dispositivos incluídos durante a tramitação no Legislativo que estariam em desacordo com a legislação vigente e com regras do arcabouço fiscal.
A decisão ocorre em meio à tentativa do governo de recompor a relação com Câmara e Senado e às pressões típicas de um ano eleitoral. O ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmou que os valores barrados ultrapassam o limite pactuado entre Executivo e Legislativo, que restringe o crescimento das emendas à correção pela inflação e a um aumento real de até 2,5%. Apesar dos cortes, o Orçamento prevê aumento de recursos para áreas como educação e saúde e projeta superávit primário de R$ 34,2 bilhões, mesmo com a ampliação dos gastos públicos em 2026.
InfoMoney: Lula sanciona Orçamento de 2026 com vetos a R$ 400 milhões em emendas parlamentares
2. Tarifa dos EUA contra parceiros do Irã acende alerta para comércio brasileiro
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a imposição imediata de uma tarifa de 25% sobre todas as transações comerciais com os EUA realizadas por países que mantenham negócios com o Irã. A medida, divulgada nas redes sociais, não detalha se afetará contratos em vigor ou apenas novas operações, o que gerou incerteza entre governos e empresas.
O Brasil pode ser impactado pela decisão, já que mantém relação comercial relevante com Teerã, sobretudo no setor do agronegócio, embora o Irã não esteja entre os 20 maiores parceiros comerciais brasileiros no ranking global.
Em 2025, o comércio bilateral entre Brasil e Irã somou quase US$ 3 bilhões. As exportações brasileiras alcançaram US$ 2,9 bilhões, concentradas principalmente em milho, soja e açúcar, enquanto as importações ficaram em torno de US$ 84,5 milhões, com destaque para fertilizantes, ureia, pistache e uvas secas.
G1: Trump anuncia tarifa de 25% aos países que fizerem negócios com o Irã; Brasil pode ser afetado
Agência Brasil: Brasil movimentou quase US$ 3 bi em comércio com Irã em 2025
3. Banco Mundial prevê desaceleração do crescimento do Brasil em 2026
A economia brasileira deve crescer 2% em 2026, segundo projeção do Banco Mundial divulgada no relatório Perspectivas Econômicas Globais. A estimativa indica perda de ritmo em relação a 2025, quando o PIB avançou 2,3%. O cenário brasileiro acompanha a tendência observada entre mercados emergentes, cujo crescimento deve desacelerar para 4% no próximo ano, apesar de uma revisão positiva em relação às previsões anteriores, influenciada por estímulos fiscais e pelo aumento das exportações para fora dos Estados Unidos.
No plano global, o Banco Mundial projeta crescimento de 2,6% em 2026, levemente abaixo do registrado em 2025, mas ainda sustentado por um desempenho acima do esperado da economia americana. O PIB dos EUA deve avançar 2,2%, apoiado por incentivos fiscais, mesmo com os efeitos negativos das tarifas sobre investimentos e consumo.
Apesar da maior resiliência da economia mundial, a instituição alerta que o crescimento segue concentrado nos países mais ricos e insuficiente para reduzir a pobreza extrema, com o risco de a década de 2020 se consolidar como a mais fraca em termos de expansão global desde os anos 1960.
O Globo: Banco Mundial reduz previsão e Brasil deve crescer 2% este ano, aponta relatório
4. Mercado eleva projeção de inflação e Bolsa renova recorde histórico
O mercado financeiro voltou a revisar para cima a expectativa de inflação para 2026, segundo o Boletim Focus divulgado nesta semana pelo Banco Central. A projeção do IPCA subiu, enquanto as estimativas para PIB, câmbio e taxa Selic permaneceram estáveis para este ano e para 2027. O movimento reforça a leitura de maior cautela dos analistas com o cenário inflacionário, em meio a incertezas fiscais e à sensibilidade do mercado em relação à política econômica no próximo ciclo presidencial.
Mesmo com o alerta inflacionário, a Bolsa brasileira teve forte desempenho na quarta-feira (14) e renovou o recorde histórico ao fechar aos 165.145 pontos, alta de 1,95%. No mercado de câmbio, o dólar subiu no mesmo dia 0,48% e encerrou cotado a R$ 5,40, refletindo a combinação de fatores externos, tensões geopolíticas e ajustes de posição dos investidores.
Exame: Boletim Focus: mercado aumenta projeção da inflação de 2026
Folha de S.Paulo: Bolsa renova recorde e chega a 165 mil pontos pela primeira vez, com pesquisa eleitoral e exterior em foco
5. Feriados devem gerar perda de R$ 17 bilhões ao comércio paulista em 2026
O comércio do Estado de São Paulo deve deixar de faturar cerca de R$ 17 bilhões em 2026 por causa de feriados, pontos facultativos e folgas prolongadas em dias úteis, segundo estimativa da FecomercioSP. O valor representa um aumento de 13,9% em relação a 2025, o equivalente a R$ 2,1 bilhões a mais em perdas, refletindo o maior número de datas que alteram a dinâmica de funcionamento do varejo.
De acordo com a entidade, o impacto corresponde a cerca de 1,1% da receita anual do setor, estimada em R$ 1,5 trilhão, e tende a pesar principalmente sobre pequenos comerciantes. Os segmentos mais afetados são aqueles dependentes de compras por impulso. Em contrapartida, a FecomercioSP avalia que áreas como turismo, bares, restaurantes e transporte devem se beneficiar dos feriados prolongados, enquanto compras planejadas, como veículos e eletrodomésticos, tendem apenas a ser adiadas, sem perda efetiva de faturamento.
Valor Econômico: FecomercioSP estima perda de R$ 17 bi com feriados