Brasil

21 de Novembro de 2025

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A COP30 chega aos últimos dias ainda sem definições com relação a um dos principais tópicos, a consolidação de um “mapa do caminho” para superar a dependência dos combustíveis fósseis. Mesmo com sinalizações do presidente Lula para acelerar as negociações, não há decisões concretas nesse sentido.

Mesmo em meio a tensões, analistas acreditam que a COP de Belém trouxe anúncios importantes, como o TFF e a demarcação de terras indígenas.

Leia abaixo os principais pontos da semana.

1. Pressão cresce após ausência de plano contra combustíveis fósseis

A reta final da COP30 foi marcada pela divulgação de um novo rascunho de decisões que retirou qualquer referência a um plano global para eliminar os combustíveis fósseis, assim como a menção a um roteiro contra o desmatamento. O documento, com sete páginas, apenas solicita que os países acelerem ações climáticas e introduz um “Acelerador Global de Implementação” de caráter voluntário, mas sem explicar seu funcionamento. A ausência de diretrizes claras para reduzir petróleo, gás e carvão gerou frustração entre delegações que defendiam um compromisso mais firme.

Em reação, quase 30 nações enviaram uma carta à presidência brasileira da conferência rejeitando o novo texto e cobrando avanços. O grupo afirma que não apoiará qualquer acordo que não traga um caminho explícito para uma transição justa e organizada longe dos combustíveis fósseis. Segundo os países signatários, essa demanda reflete a posição predominante entre as Partes e acompanha o consenso científico sobre a necessidade de ação urgente. A pressão elevou o clima de tensão às vésperas do encerramento da conferência.

Folha de S.Paulo: COP30 exclui plano contra combustíveis fósseis de novo rascunho de decisão
O Globo: Brasil apresenta esboço do texto final da COP30 sem plano para reduzir combustíveis fósseis

2. Incêndio na Blue Zone causa nova onda de críticas 

O incêndio no pavilhão dos países da zona azul da COP30 interrompeu os trabalhos e obrigou a suspensão das reuniões plenárias, retomadas apenas na sexta-feira. A paralisação ocorreu em um dos momentos mais sensíveis das negociações, atrapalhando o cronograma da presidência da conferência e podendo alongar as discussões. A expectativa era concluir até a noite de sexta o texto final sobre temas centrais, como o mapa do caminho para o afastamento dos combustíveis fósseis, mas o incidente impôs incertezas ao planejamento.

A imprensa internacional destacou o episódio, descrevendo a evacuação dos delegados em clima de pânico. A BBC colocou o incêndio em manchete, relatando que seus repórteres presenciaram as chamas no pavilhão. A agência Associated Press também informou que sua equipe precisou deixar o local às pressas e lembrou que o evento ocorreu às vésperas do encerramento oficial da COP. A ampla repercussão reforçou a tensão que já marcava a reta final das negociações climáticas.

Valor Econômico: Incêndio em área da ONU na COP pode retardar negociações
G1: Incêndio na COP: veja repercussão internacional
Estadão: ‘Delegados em pânico’: como imprensa internacional noticiou incêndio da COP-30 em Belém

3. Alemanha anuncia 1 bilhão de euros ao TFFF em Belém

A Alemanha anunciou um aporte de 1 bilhão de euros ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), conforme revelou a ministra do Meio Ambiente e do Clima, Marina Silva, durante a COP30 em Belém. O fundo é uma das principais iniciativas do governo brasileiro para estimular a conservação ambiental por meio de um mecanismo internacional de compensação financeira a países que preservam suas florestas. A proposta busca reconhecer o papel estratégico das nações tropicais na regulação climática e na captura de carbono, fortalecendo a cooperação global.

O anúncio ocorreu poucos dias após declarações depreciativas do chanceler alemão, Friedrich Merz, sobre Belém do Pará. Em tom de alívio, ele disse estar satisfeito por retornar a Berlim após sua estadia na cidade-sede da conferência, comentário que ganhou repercussão negativa entre autoridades e organizações da sociedade civil. Apesar do episódio, o aporte alemão foi interpretado como sinal de confiança no TFFF e de apoio às pautas ambientais conduzidas pelo Brasil na conferência.

Exame: COP30: Alemanha faz aporte de 1 bilhão de euros para fundo de florestas tropicais
Nexo Jornal: Como a fala de Merz sobre Belém alimenta a era do ultraje

4. Impactos da crise climática podem reduzir riqueza e empregos

A falta de medidas eficazes para conter a crise climática, permitindo que a temperatura global ultrapasse os limites definidos no Acordo de Paris, pode gerar impactos profundos na economia brasileira. Um estudo do Ministério do Planejamento e Orçamento alerta para potenciais agravamentos das desigualdades regionais e riscos à segurança energética, alimentar e hídrica. Em contraponto, limitar o aquecimento a 1,5°C traria ganhos expressivos: o Brasil poderia adicionar R$ 6,7 trilhões ao PIB até 2050 e criar cerca de 1 milhão de empregos. Os dados fazem parte de uma análise financiada pelo BID e apresentada durante a COP30.

Outra projeção, elaborada pelo Pnud, reforça o alerta ao estimar que Brasil e demais países da Bacia Amazônica podem perder até 33% do PIB combinado até 2070 caso não avancem em ações de mitigação climática. O relatório destaca que a região amazônica está entre as mais vulneráveis aos efeitos do aquecimento global, o que intensifica riscos socioeconômicos já existentes. As conclusões apontam que o atraso na transição sustentável ampliaria danos estruturais e comprometeria a competitividade nacional. Para os especialistas, investir agora em adaptação e redução de emissões é decisivo para proteger o desenvolvimento do país nas próximas décadas.

Valor Econômico: Inação climática faria Brasil perder até R$ 17,1 trilhões de PIB potencial em 25 anos, calcula governo

5. COP30 marca retomada da demarcação de territórios indígenas

A COP30 teve dias marcados pela forte mobilização de povos indígenas e por novos avanços na agenda de demarcações. A ministra dos Povos Originários, Sônia Guajajara, anunciou que dez portarias declaratórias de Terras Indígenas foram assinadas pelo Ministério da Justiça e devem ser publicadas em breve pela Casa Civil, etapa decisiva para oficializar esses territórios. Com isso, o governo federal destravou 20 processos durante a conferência, incluindo portarias, homologações e relatórios técnicos concluídos.

O anúncio mais recente ocorreu quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva homologou quatro terras indígenas, com as assinaturas já publicadas no Diário Oficial da União. As medidas representam um reforço à proteção territorial e ao reconhecimento dos direitos originários em meio às discussões climáticas globais. Para lideranças indígenas, o avanço sinaliza o compromisso do governo com a preservação ambiental e a segurança dos povos tradicionais.

CNN Brasil: Na COP30, Guajajara anuncia a demarcação de 10 terras indígenas
Nexo Jornal: As 20 demarcações de terras indígenas destravadas na COP30