Brasil
28 de agosto de 2026

1. Mercado reduz previsão de crescimento do PIB para 1,95%
O mercado financeiro revisou para baixo sua projeção de crescimento da economia brasileira em 2026, de 1,98% para 1,95%, segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central (BC) com base em consultas a mais de 100 instituições. A estimativa aponta desaceleração em relação aos 2,3% registrados pelo PIB em 2025, enquanto a previsão para 2027 foi mantida em 1,5%. Em ano eleitoral, medidas do governo para estimular a atividade e reduzir o endividamento das famílias ampliam a demanda, mas podem dificultar o controle da inflação, cenário que o BC busca conter com um ritmo menor de expansão econômica.
A projeção para a inflação em 2026 permaneceu em 5,02% pela segunda semana consecutiva, acima do teto da meta contínua de 4,5%, apesar dos riscos adicionais trazidos pela alta do petróleo após a retomada da guerra no Oriente Médio. O mercado também manteve a expectativa de que a Selic – a taxa básica de juros da economia brasileira – termine 2026 em 13,75% ao ano, diante de uma possível última redução dos juros no período. Para 2027 e 2028, as previsões seguem em 12% e 10,50%, respectivamente.
G1: Mercado financeiro baixa projeção de crescimento da economia em 2026 para 1,95%
2. Arrecadação federal tem alta real de 9% em julho
A arrecadação de impostos e contribuições federais somou R$ 289,346 bilhões em julho, alta real de 8,97% em relação ao mesmo mês de 2025, informou a Receita Federal. O resultado superou a mediana das projeções do mercado, de R$ 284,6 bilhões, e avançou frente aos R$ 264,437 bilhões registrados em junho. No acumulado de janeiro a julho, a arrecadação atingiu R$ 1,876 trilhão, segundo o órgão.
Entre os destaques do mês, a Receita Previdenciária totalizou R$ 64,215 bilhões, com crescimento real de 5,50%, impulsionada pela alta da massa salarial e da arrecadação do Simples Nacional. O IRRF (Imposto de Renda Retido na Fonte) sobre rendimentos de capital cresceu 29,47% em termos reais, para R$ 13,449 bilhões, enquanto IRPJ (Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica) e CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) somaram R$ 64,922 bilhões, avanço de 4,52%, favorecidos pelo desempenho do balanço trimestral e do lucro presumido. A arrecadação com IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), por sua vez, chegou a R$ 8,169 bilhões, aumento real de 19,35% na comparação anual.
Estadão: Arrecadação federal soma R$ 289,3 bi em julho, alta de 9%
3. Alimentos recuam pelo terceiro mês, mas leite acumula alta de 23% em 2026
Os preços dos alimentos registraram queda pelo terceiro mês consecutivo em agosto, segundo o IPCA-15, prévia da inflação oficial. A alimentação dentro de casa recuou 1,02%, enquanto a alta da alimentação fora do domicílio desacelerou de 0,55% em julho para 0,42%. O resultado contribuiu para a deflação de 0,40% do IPCA-15 geral no mês, a primeira em um ano. A redução foi impulsionada principalmente por hortifrutis, arroz e carnes: manga, batata-inglesa, cebola e tomate apresentaram quedas expressivas, além de recuos de 3,1% no arroz e de 0,94% nas carnes.
Apesar do alívio em agosto, os alimentos ainda acumulam alta de 3,78% no ano, com avanços relevantes em produtos como batata-inglesa, que sobe 34,83%, cebola, com alta de 68,94%, e carnes, que avançam 6,47%. O leite longa vida, por sua vez, subiu 3,41% no mês e acumula elevação de 23% em 2026, pressionado pela menor oferta de leite cru, pelo aumento dos preços pagos aos produtores e pela sazonalidade do setor. Frutas também tiveram alta média de 3,11% em agosto.
CNN Brasil: IPCA-15: preço dos alimentos cai pelo 3º mês, mas leite sobe 23% no ano
4. Intenção de consumo das famílias recua 0,6% em agosto
A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) caiu 0,6% em agosto na comparação com julho, para 104,9 pontos, segundo a Confederação Nacional de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A retração foi atribuída às incertezas sobre o ritmo futuro de geração de empregos e ao risco de inadimplência em um cenário financeiro considerado pressionado. Dos sete componentes do índice, seis registraram queda no mês, com destaque para perspectiva profissional (-1,9%) e momento para compra de bens duráveis (-1,3%). Apenas o indicador de emprego atual avançou, em 0,1%.
Apesar do recuo mensal, o ICF ficou 2,3% acima do registrado em agosto de 2025, impulsionado principalmente pela melhora no acesso ao crédito, no momento para compra de duráveis e na perspectiva de consumo. A percepção sobre o futuro profissional, porém, caiu 9,9% na comparação anual. Segundo a CNC, fatores como inflação dentro da meta e redução da Selic (taxa básica de juros da economia brasileira) não bastaram para elevar a confiança no curto prazo, diante da insegurança relacionada ao mercado de trabalho. A queda de agosto atingiu consumidores de todas as faixas de renda: o índice recuou para 102,5 pontos entre famílias com renda de até dez salários mínimos e para 117,4 pontos entre aquelas com ganhos superiores a esse limite.
Valor Econômico: Intenção de consumo das famílias cai 0,6% em agosto, diz CNC
5. Governo fixa salário mínimo de R$ 1.741 para 2027
O governo federal definiu em R$ 1.741 o salário mínimo para 2027, valor que será incluído no projeto da Lei Orçamentária Anual (PLOA), segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan. O reajuste seguirá as regras previstas em lei, que consideram a inflação do período e a variação do PIB (Produto Interno Bruto) de dois anos antes, respeitados os limites estabelecidos pelo arcabouço fiscal. Durigan afirmou que a proposta orçamentária está em fase avançada de elaboração.
O ministro destacou que benefícios vinculados ao salário mínimo, como os da Previdência, continuarão indexados ao novo valor, com foco na proteção da população de menor renda. A PLOA também deve incorporar o novo modelo previsto pela reforma tributária. Pela Constituição, o Executivo tem até 31 de agosto para encaminhar o projeto ao Congresso, que deve votá-lo e devolvê-lo para sanção presidencial até 22 de dezembro.
InfoMoney: Governo confirma que salário mínimo será de R$ 1.741 em 2027