Brasil
06 de Fevereiro de 2026

1. Copom confirma início de ciclo de queda dos juros
A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) confirmou a sinalização de que o Banco Central (BC) pretende iniciar um ciclo de corte da taxa Selic em março, após manter os juros em 15% ao ano pela quinta vez consecutiva. Segundo o BC, a decisão foi baseada na melhora do cenário inflacionário corrente, na redução das expectativas de inflação e em sinais mais claros da transmissão da política monetária para a economia. Apesar disso, o colegiado evitou antecipar o tamanho ou a duração do ciclo de flexibilização, destacando que essas definições dependerão da incorporação de novos dados ao longo do tempo.
O documento reforça que, mesmo com a perspectiva de queda dos juros – o mercado projeta Selic de 14,5% já em março e de 12,25% ao fim de 2026 -, a política monetária seguirá em patamar restritivo até que a convergência da inflação à meta esteja assegurada. O BC ressaltou a necessidade de cautela diante da resiliência do mercado de trabalho, das incertezas externas e dos riscos fiscais domésticos, além de reiterar que a desaceleração da atividade econômica faz parte da estratégia de controle inflacionário. A autoridade monetária também voltou a defender a coordenação entre política fiscal e monetária como condição essencial para a ancoragem das expectativas e a estabilidade de preços.
2. Ibovespa sofre forte queda
O Ibovespa teve o pior desempenho de 2026 nesta quarta-feira, ao cair 2,14%, aos 181,7 mil pontos, em um movimento de forte realização de lucros e aumento da aversão ao risco. A queda foi puxada principalmente pelo setor financeiro, após o balanço do Santander reacender preocupações com inadimplência e qualidade dos ativos, contaminando ações de Itaú, Bradesco e Banco do Brasil. O varejo também operou em baixa, refletindo sinais de exaustão após a recente alta do mercado e dados mais fracos de atividade no setor de serviços.
No cenário externo, o ambiente também foi desfavorável. Em Wall Street, os índices fecharam mistos, com continuidade da rotação para fora de ações de tecnologia, enquanto novos dados do mercado de trabalho dos EUA reforçaram incertezas sobre o ritmo da economia. No Brasil, ruídos fiscais e preocupações com a independência do Banco Central ampliaram a pressão sobre os ativos domésticos. O dólar comercial ficou estável em R$ 5,25, e os juros futuros encerraram o dia sem direção única, em meio ao aumento da cautela dos investidores.
InfoMoney: Ibovespa tem o pior dia do ano, com baixas de bancos e varejo
3. Dívida pública avançou em 2025
A dívida bruta do governo geral encerrou 2025 em 78,7% do PIB, o equivalente a R$ 10 trilhões, segundo dados do Banco Central. O resultado representa um aumento de 2,4 pontos percentuais em relação ao ano anterior, pressionado principalmente pela incorporação de juros nominais, parcialmente compensada pelo crescimento do PIB nominal e pela valorização cambial. Em dezembro, houve leve recuo mensal, refletindo resgates líquidos de dívida e o efeito positivo da atividade econômica.
Já a dívida líquida do setor público subiu para 65,3% do PIB, alta de 4 pontos percentuais no ano, influenciada pelos juros, pela valorização cambial acumulada e pelo déficit primário. Em 2025, o setor público consolidado registrou déficit de R$ 55 bilhões, o maior desde 2023, com rombo no governo central e nas estatais, parcialmente compensado por superávit de estados e municípios.
CNN Brasil: BC: Dívida bruta do governo geral sobe e fecha 2025 em 78,7% do PIB
4. Comércio exterior de serviços atinge novo pico
As exportações brasileiras de serviços somaram US$ 51,8 bilhões em 2025, o maior valor da série histórica, segundo dados do novo painel ComexVis Serviços, lançado pelo Ministério do Desenvolvimento. Do total, cerca de 65% vieram de serviços digitais, evidenciando a crescente relevância do setor na inserção internacional do país. A ferramenta reúne dados inéditos e detalhados sobre o comércio exterior de serviços, ampliando a transparência e permitindo análises por setor, parceiros comerciais e evolução histórica.
Apesar do avanço, o Brasil mantém um déficit estrutural na balança de serviços. Em 2025, as importações alcançaram US$ 104,7 bilhões, resultando em saldo negativo de quase US$ 53 bilhões e contribuindo para o déficit das contas externas. Ainda assim, o recorde nas exportações ajuda a reduzir a dependência de capitais externos, tradicionalmente compensada por superávits comerciais e pelo investimento estrangeiro direto, que voltou a crescer no ano passado.
Agência Brasil: Exportações de serviços batem recorde e alcançam US$ 51,8 bi em 2025
5. Indústria perde fôlego e recuperação fica mais distante
A indústria brasileira encerrou 2025 em ritmo mais fraco, pressionada por juros elevados, demanda moderada e maior concorrência de produtos importados. Dados do IBGE mostram queda de 1,2% na produção em dezembro e crescimento de apenas 0,6% no acumulado do ano, bem abaixo do avanço registrado em 2024. Analistas apontam que a política monetária restritiva afetou decisões de investimento e consumo, com impacto mais forte sobre setores sensíveis ao crédito, como bens de capital e bens duráveis, que lideraram as perdas no fim do ano.
Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o cenário à frente segue desafiador, mesmo com a expectativa de início do ciclo de cortes da Selic em 2026. A entidade avalia que a redução dos juros será gradual e insuficiente para destravar rapidamente a atividade, mantendo a indústria sob uma “âncora pesada” até pelo menos 2027. Além do custo do crédito, a CNI destaca o aumento das importações como fator adicional de pressão, enquanto economistas projetam uma recuperação lenta e desigual ao longo de 2026.
Valor Econômico: Produção industrial cresce 0,6% em 2025, diz IBGE
InfoMoney: Indústria brasileira desacelera e CNI prevê ‘âncora pesada’ até 2027