Brasil
12 de dezembro de 2025

1. Copom mantém Selic em 15% adiando cortes para 2026
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, pela quarta vez consecutiva e de forma unânime, manter a taxa Selic em 15% ao ano na última reunião de 2025. Este patamar é o mais elevado em quase duas décadas, desde 2006, e a decisão efetivamente adia qualquer possibilidade de corte de juros para 2026, um ano eleitoral. O colegiado justificou sua postura conservadora, apesar da pressão governamental por redução, citando a “elevada incerteza” e a necessidade de uma estratégia prolongada para assegurar a convergência da inflação à meta estabelecida.
No entanto, o Copom optou por não oferecer indicações futuras sobre os próximos passos da política monetária em seu comunicado, mantendo a indefinição e reforçando que permanecerá “vigilante”, com a possibilidade de ajustes conforme a evolução do cenário econômico. Essa decisão de manutenção, assim como a ausência de sinalização, já era amplamente esperada pelo mercado financeiro, alinhando-se às previsões da maioria das instituições e à mediana do boletim Focus.
Estadão: Copom mantém Selic em 15% ao ano pela 4ª vez seguida e empurra corte de juros para 2026
2. IPCA de novembro desacelera e retorna ao centro da meta
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou uma desaceleração significativa em novembro, atingindo 0,18%, o menor nível para o mês em sete anos. Com esse resultado, a inflação acumulada nos últimos 12 meses ficou em 4,46%, recolocando o índice dentro do intervalo de tolerância da meta do Banco Central (3% a 4,5%). No acumulado do ano, o IPCA marca alta de 3,92%, superando levemente as projeções do mercado e indicando um cenário de maior controle inflacionário.
As maiores pressões de alta em novembro vieram de Despesas Pessoais (0,77%), impulsionadas por passagens aéreas e hospedagem (com impacto notável da COP-30 em Belém), e Habitação (0,52%), devido principalmente à energia elétrica residencial e seus reajustes, além da bandeira vermelha. Por outro lado, grupos como Artigos de Residência (-1,00%), Comunicação, Saúde e Cuidados Pessoais, e Alimentação e Bebidas (-0,01%) apresentaram quedas, com destaque para a redução nos preços de alguns alimentos básicos e a influência de gratuidades nos transportes.
G1: IPCA: inflação desacelera para 0,18% em novembro e atinge menor nível para o mês em sete anos
3. Governo define reajuste de salário mínimo para 2026
O Ministério do Planejamento e Orçamento confirmou que o salário mínimo será reajustado para R$ 1.621 em 2026. Este novo valor representa um aumento de R$ 103 (6,79%) em relação aos atuais R$ 1.518 e passará a valer a partir de janeiro de 2026, com o primeiro pagamento já em fevereiro. O cálculo do reajuste é baseado na regra que combina a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado até novembro e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores.
Apesar de uma projeção inicial de R$ 1.627 na Lei de Diretrizes Orçamentárias, o valor final de R$ 1.621 foi determinado após a divulgação do INPC de 4,18% e a revisão do PIB de 2024 para 3,4%. As regras do arcabouço fiscal, que limitam o ganho real do salário mínimo, também influenciaram este resultado. É importante notar como esses ajustes refletem a dinâmica entre indicadores econômicos e políticas fiscais.
Agência Brasil: Governo confirma salário mínimo de R$ 1.621 em 2026
4. Câmara aprova PL que endurece regras para devedores contumazes
A Câmara dos Deputados aprovou, com ampla maioria, o projeto que cria o Código de Defesa do Contribuinte e estabelece regras mais rigorosas para os “devedores contumazes” – aqueles com inadimplência tributária substancial, reiterada e injustificada. O texto segue agora para sanção do Presidente da República e é defendido pelo governo como uma ferramenta essencial para combater a sonegação fiscal, especialmente após recentes operações contra grandes esquemas.
A proposta prevê sanções para os devedores contumazes, como o impedimento de desfrutar de benefícios fiscais e a vedação de participação em licitações públicas. Em contrapartida, o projeto concede vantagens aos bons pagadores, incluindo acesso a canais de atendimento simplificados e prioridade na análise de processos administrativos. Esse equilíbrio visa otimizar a eficiência da administração tributária e a arrecadação.
CNN Brasil: Câmara aprova projeto para devedores recorrentes de impostos
5. Mercado reage com candidatura de Flávio Bolsonaro
O mercado reagiu com volatilidade ao anúncio de Flávio Bolsonaro sobre sua candidatura “irreversível” à Presidência da República em 2026. Na terça-feira (9), o dólar fechou em alta de 0,31%, cotado a R$ 5,437, enquanto a B3 recuou 0,13%. Houve uma retirada de R$ 1,7 bilhão por investidores estrangeiros da Bolsa no dia do anúncio.
Essa movimentação reflete a percepção do mercado de que a candidatura de Flávio, apoiada por Bolsonaro, possa enfraquecer Tarcísio de Freitas, nome favorito da Faria Lima, e aumentar as chances de reeleição de Lula, cuja política fiscal desagrada grande parte do mercado. A discussão do PL da Dosimetria (que pode reduzir a pena de Jair Bolsonaro) adicionou incerteza, com a possibilidade de Flávio desistir caso o projeto seja aprovado, o que poderia beneficiar Tarcísio.
Folha de S. Paulo: Dólar fecha em alta e Bolsa recua após Flávio Bolsonaro dizer que candidatura é ‘irreversível’