Brasil

13 de março de 2026

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1. Inflação sobe 0,70% em fevereiro, pressionada por Educação

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do Brasil, registrou uma alta de 0,70% em fevereiro, mostrando uma aceleração em comparação com a taxa de 0,55% de janeiro. O resultado foi majoritariamente impulsionado pelo grupo Educação, que, sozinho, teve um aumento de 5,08%, refletindo os reajustes anuais das mensalidades escolares no início do ano letivo. Outros grupos como Saúde e Cuidados Pessoais (0,75%) e Transportes (0,60%) também contribuíram para a alta.

Com esse resultado, o IPCA acumula uma variação de 1,18% no primeiro bimestre de 2026 e de 4,44% no acumulado dos últimos 12 meses. Este último valor mantém a inflação dentro do intervalo da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional para o ano, que é de 3,00%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, indicando um cenário de atenção, mas ainda sob controle.

Valor Econômico: IPCA acelera e sobe 0,70% em fevereiro

2. Petróleo supera US$ 100 com novos ataques e ameaça setor aéreo

A cotação do barril de petróleo tipo Brent voltou a ultrapassar a barreira psicológica dos US$ 100 nesta semana, renovando as preocupações com a inflação global. A alta foi uma reação direta a novos ataques a embarcações comerciais no Golfo Pérsico, uma região vital para a oferta de energia. Essa instabilidade geopolítica eleva o prêmio de risco e gera temores de uma possível interrupção no fornecimento.

No Brasil, o impacto é sentido diretamente no custo do querosene de aviação (QAV), que acompanha as cotações internacionais e pressiona a estrutura de custos das companhias aéreas. O setor, que vinha em trajetória de recuperação, agora vê um risco de desaceleração. Em uma tentativa de acalmar os mercados e estabilizar os preços, a Agência Internacional de Energia (AIE) sinalizou que seus países membros devem aprovar uma nova liberação coordenada de suas reservas estratégicas de emergência, uma medida para aumentar a oferta no curto prazo.

O Globo: Petróleo volta a ultrapassar US$ 100 com novos ataques do Irã a embarcações no Golfo Pérsico e Gasolina, diesel e querosene de aviação sobem à medida que a guerra no Irã estrangula o fornecimento

3. Inflação nos EUA avança 0,3% em fevereiro, dentro do esperado

A inflação ao consumidor (CPI) nos Estados Unidos registrou um avanço de 0,3% em fevereiro, enquanto o acumulado em 12 meses atingiu 3,1%. Os números vieram exatamente em linha com as projeções do mercado, o que foi recebido com certo alívio por investidores, afastando temores de uma aceleração inesperada que pudesse forçar uma postura mais dura do Federal Reserve (Fed), o banco central americano.

A análise dos componentes do índice mostra que os custos de moradia e os preços da gasolina foram os principais responsáveis pela alta no mês. O chamado núcleo do CPI, que exclui os preços voláteis de alimentos e energia e é observado com mais atenção pelo Fed, também subiu 0,3%. Embora os dados não alterem a perspectiva de que a inflação está em trajetória de queda, eles reforçam a mensagem de cautela das autoridades monetárias, que precisam de mais confiança na convergência sustentada da inflação para a meta de 2% antes de iniciar o esperado ciclo de corte de juros.

Exame: CPI: inflação nos EUA avança 0,3% em fevereiro, como esperado

4.Exportações do Brasil para os EUA recuam 23% no primeiro bimestre

As exportações brasileiras para os Estados Unidos, segundo maior parceiro comercial do país, sofreram uma retração significativa de 23% no primeiro bimestre de 2026, quando comparadas ao mesmo período do ano anterior. O volume financeiro totalizou US$ 4,8 bilhões, uma queda expressiva frente aos US$ 6,2 bilhões registrados em janeiro e fevereiro de 2025.

De acordo com o levantamento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), a principal causa para a diminuição foi a forte queda nas vendas de produtos semimanufaturados, com destaque para o ouro, que teve uma redução de 78%, e o ferro-gusa, com recuo de 55%. Essa performance negativa da balança comercial bilateral reflete, em parte, um cenário de menor demanda e acomodação da economia americana, além de fatores específicos de mercado para certas commodities. Apesar do resultado, a Amcham destaca que o fluxo de comércio entre os dois países permanece robusto e estratégico.

Exame: Exportações brasileiras para os EUA caíram 23% no 1º bimestre, diz Amcham

5. Projeção do dólar no fim de 2026 recua para R$ 5,41

O mercado financeiro realizou um leve ajuste em sua previsão para o câmbio no final de 2026. Segundo o mais recente Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, a estimativa para a cotação do dólar americano foi revisada para baixo, passando de R$ 5,42 para R$ 5,41. Apesar de marginal, a alteração representa a quarta redução consecutiva no indicador, que há um mês estava em R$ 5,50, indicando uma melhora gradual na percepção de risco.

Essa tendência pode ser parcialmente atribuída à atratividade do diferencial de juros no Brasil, que incentiva operações de “carry trade”. O relatório também informa que a projeção para a taxa Selic ao final de 2026 foi mantida em 9,00% ao ano, enquanto a expectativa para o crescimento do PIB continuou em 2,00% e a da inflação (IPCA) em 3,75%, demonstrando estabilidade nas previsões para os demais pilares da macroeconomia para o período.

IstoÉ Dinheiro: Dólar no fim de 2026 passa de R$ 5,42 para R$ 5,41, projeta Focus