Brasil

17 de abril de 2026

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1. FMI eleva projeção do PIB brasileiro para 1,9% em 2026

O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para cima a projeção de crescimento da economia brasileira em 2026, estimando agora uma expansão de 1,9% do PIB. O ajuste, um aumento de 0,3 ponto percentual frente à previsão de janeiro, coloca o país em trajetória oposta à tendência global.

Enquanto o Fundo reduziu a perspectiva de crescimento mundial para 3,1% devido aos impactos da guerra no Oriente Médio sobre a oferta de energia, o Brasil beneficia-se de sua posição estratégica como exportador de petróleo. A valorização da commodity deve injetar cerca de 0,2 p.p. ao desempenho nacional, compensando a desaceleração da demanda externa e os custos de insumos mais elevados.

Contudo, o FMI alerta que o cenário internacional permanece desafiador. Preços do petróleo acima de US$ 110 o barril podem pressionar a inflação global e forçar bancos centrais a manterem juros altos por mais tempo. Embora a nova projeção seja superior à estimativa anterior, o índice de 1,9% ainda fica abaixo dos 2,3% alcançados em 2025.

G1: Guerra leva FMI a reduzir projeção de crescimento global

2. Previsão para inflação chega a 4,71%

O mercado financeiro elevou, pela quinta semana consecutiva, a previsão para a inflação oficial (IPCA) de 2026, que passou de 4,36% para 4,71%. Segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central, a estimativa agora ultrapassa o teto da meta estabelecida, que possui limite superior de 4,5%. O ajuste reflete as tensões causadas pela guerra no Oriente Médio, que impactam diretamente os custos de energia e transportes.

Apesar da pressão inflacionária, a projeção para o crescimento da economia (PIB) manteve-se estável em 1,85% para este ano. Quanto aos juros, os analistas preveem que a taxa Selic encerre 2026 em 12,5% ao ano. Já o câmbio deve fechar o período em R$ 5,37.

O Banco Central não descarta revisar o ciclo de redução da Selic, atualmente em 14,75%, caso a incerteza geopolítica persista. A autoridade monetária monitora o cenário para evitar que o desvio da meta comprometa a estabilidade econômica a longo prazo e o poder de compra da população.

Agência Brasil: Mercado eleva previsão da inflação para 4,71% este ano
 

3. Proposta vincula saque do FGTS ao pagamento de dívidas

O governo federal prepara uma mudança significativa nas regras do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A proposta, articulada pelo Ministério do Trabalho, visa extinguir a modalidade do saque-aniversário, substituindo-a por um modelo de crédito consignado que utiliza o saldo do fundo como garantia. Sob as novas diretrizes, o trabalhador demitido sem justa causa que possuir empréstimos ativos vinculados ao FGTS só poderá retirar o saldo remanescente da conta após a quitação integral desses débitos.

A medida busca reduzir as taxas de juros para o setor privado e aumentar a liquidez do fundo, mas impõe condições mais rígidas para o acesso aos valores em caso de desligamento. Segundo interlocutores do governo, a ideia é evitar que o endividamento comprometa a reserva financeira do trabalhador no longo prazo. O projeto deve ser enviado em breve ao Congresso Nacional, onde enfrentará debates sobre o impacto na liberdade de movimentação dos recursos pelos empregados.

CNN: Trabalhador só poderá sacar FGTS se conseguir quitar todas as dívidas

4. Varejo apresenta alta moderada e frustra projeções em fevereiro

O comércio varejista brasileiro avançou 0,6% em fevereiro de 2026, conforme dados do IBGE. Apesar da alta, o índice frustrou o mercado financeiro, que previa um desempenho mais robusto. O resultado evidencia a cautela dos consumidores, pressionados pelos juros altos e pela inflação de itens básicos.

Setores essenciais, como supermercados e farmácias, garantiram o saldo positivo do mês. Em contrapartida, segmentos sensíveis ao crédito, como eletrodomésticos, sentem o peso do financiamento caro. Embora o setor acumule ganhos no ano, o ritmo de crescimento desacelerou em relação ao encerramento de 2025. Para analistas, a retomada do varejo está atrelada à redução das taxas de juros e ao fortalecimento da renda das famílias.

Valor Econômico: Vendas no varejo brasileiro sobem 0,6% em fevereiro, abaixo da expectativa do mercado
 

5. Governo formaliza proposta para extinguir escala 6×1

O presidente Lula enviou ao Congresso Nacional, nesta terça-feira (14), o projeto de lei que propõe o fim da jornada de trabalho de seis dias por um de descanso, a chamada escala 6×1. A medida atende a uma crescente pressão de movimentos sociais e busca modernizar a legislação trabalhista, priorizando a saúde mental e a qualidade de vida do trabalhador. A proposta sugere a transição para modelos que permitam dois dias de folga semanal, sem redução salarial.

O texto prevê regras de adaptação gradual para setores de serviços e comércio, que operam intensamente nesse regime. No Legislativo, a matéria deve enfrentar forte debate entre centrais sindicais e confederações patronais, que alertam para possíveis impactos nos custos operacionais. Se aprovada, a mudança será um marco na CLT em 2026, alterando a dinâmica produtiva do país. O governo defende que a nova jornada pode estimular o consumo e a produtividade no longo prazo, compensando os ajustes iniciais.

O Globo: Lula envia ao Congresso projeto que acaba com escala 6×1