Brasil
22 de Agosto de 2025

1. Incerteza jurídica derruba ações de bancos no Brasil
As ações dos principais bancos brasileiros perderam R$ 41,3 bilhões em valor de mercado após a sinalização do ministro do STF Flávio Dino referente à Lei Magnitsky. A possibilidade de aplicar punições a instituições financeiras que seguirem sanções estrangeiras contra Alexandre de Moraes elevou a percepção de insegurança jurídica. O impacto foi imediato: o Banco do Brasil recuou mais de 6%, enquanto Santander, Bradesco, Itaú e BTG também registraram fortes quedas. A bolsa fechou em queda de 2,10% e o dólar subiu 1,23%, cotado a R$ 5,50.
O episódio expõe os bancos a um dilema entre atender às exigências do sistema financeiro global e cumprir determinações do Supremo, cenário que pode gerar sanções e custos adicionais. Analistas apontam que a crise reforça a aversão ao risco dos investidores e pressiona o setor, considerado pilar do mercado brasileiro. A falta de clareza sobre os efeitos da Lei Magnitsky no país aumenta a tensão e levanta preocupações sobre a integração das instituições nacionais ao sistema internacional, num momento em que a moeda brasileira já é influenciada pelas expectativas sobre a política monetária do Federal Reserve.
Folha de S. Paulo: Bancos caem na Bolsa e perdem R$ 41 bi em valor de mercado após sinalização de Dino sobre Lei Magnitsky
2. Inflação abaixo de 5% pela primeira vez em 2025
O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central mostrou que a expectativa de inflação para 2025 caiu de 5,05% para 4,95%. É a primeira vez no ano em que a projeção fica abaixo de 5%. Apesar da sequência de 12 semanas de revisões para baixo, o índice ainda permanece acima do teto da meta da autoridade monetária. Para 2026, as estimativas também recuaram pela quinta semana seguida, de 4,41% para 4,40%. Já as projeções para 2027 e 2028 seguem estáveis, em 4% e 3,80%, respectivamente.
No lado do crescimento econômico, as projeções para o PIB de 2025 e 2026 foram mantidas em 2,21% e 1,87%, enquanto para 2027 houve leve ajuste de 1,93% para 1,87%. A taxa Selic deve encerrar 2025 em 15% e cair para 12,5% em 2026. O câmbio segue projetado em R$ 5,60 para 2025, permanecendo em torno de R$ 5,70 entre 2026 e 2028, refletindo um cenário de estabilidade no dólar mesmo diante das incertezas externas.
Exame: Boletim Focus: mercado vê inflação abaixo de 5% pela primeira vez no ano
3. Presidente Lula retoma discussões sobre Big Techs
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai enviar ao Congresso dois projetos de lei para regulamentar plataformas digitais. Um deles trata da regulação do uso desses serviços, enquanto o outro estabelece regras econômicas voltadas à concorrência entre grandes empresas de tecnologia, as chamadas big techs.
A proposta deve ser apresentada na próxima semana, após a viagem de Lula à Colômbia, e ainda depende do avanço da votação do PL da Adultização na Câmara. O debate ganhou força depois da denúncia do influenciador Felca sobre a exposição de crianças e adolescentes nas redes. Nesta segunda (18/8), o presidente reforçou a defesa da regulação como forma de combater crimes no ambiente digital.
Antes de pautar os projetos, o presidente planeja se reunir com representantes da Meta, do Google e do TikTok no Brasil para apresentar o texto sobre regulamentação das redes sociais.
Metrópoles: Lula decide enviar dois projetos de lei para regulação das big techs
CNN Brasil: Governo vai reunir big techs antes de enviar regulamentação ao Congresso
4. Câmara aprova urgência para isenção do Imposto de Renda
A Câmara dos Deputados aprovou o regime de urgência do projeto que amplia a isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil mensais. A medida acelera a análise e pode entrar em vigor já em 2026, beneficiando cerca de 10 milhões de contribuintes. Quem recebe entre R$ 5 mil e R$ 7.350 terá desconto gradual no imposto, o que deve contemplar outras 500 mil pessoas.
Para compensar a queda na arrecadação, o texto prevê aumento nas alíquotas para os mais ricos. A cobrança passa a valer para quem ganha acima de R$ 600 mil por ano, com taxa de até 10% para rendimentos superiores a R$ 1,2 milhão anuais. A mudança deve impactar aproximadamente 141 mil contribuintes de alta renda.
5. Nova carta de presidente da COP30 cobra compromissos de países
O presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, divulgou sua sexta carta à comunidade internacional, destacando os preparativos para a conferência. A iniciativa busca evitar impasses como o da reunião de Bonn, realizada em junho, quando países tentaram reabrir debates que estavam fora da agenda e acabaram por atrasar os trabalhos por dois dias.
A carta aponta a necessidade de discutir temas centrais para enfrentar a crise climática. Entre eles estão a elevação da ambição nos compromissos climáticos, a transição justa para o fim dos combustíveis fósseis e o financiamento global. O relatório da conferência deve detalhar o caminho para mobilizar US$ 1,3 trilhão anuais em recursos e avaliar o impacto das novas metas nacionais (NDCs) no aquecimento do planeta.
Valor Econômico: Sexta carta da presidência da COP30 busca dar transparência ao processo e incluir temas fora da agenda
O Globo: Em nova carta, presidente da COP30 diz que 80% dos países membros do Acordo de Paris não têm novas metas para reduzir emissões