Brasil

25 de Julho de 2025

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1. Setores sentem impacto imediato de tarifa de Trump sobre exportações

A nova tarifa de 50% imposta por Donald Trump impactará diretamente mais da metade das exportações de cinco setores estratégicos brasileiros, revelando uma dependência generalizada do mercado americano.
Setores como materiais de construção, aeronaves (Embraer) e armas (Taurus) são os mais expostos, com vendas significativas para os EUA. O Ceará é o estado mais vulnerável – 45% das exportações têm como destino os EUA.

Apesar do prejuízo, o Brasil pode retaliar. Embora nossas exportações minerais para os EUA sejam pequenas, as importações americanas de minerais brasileiros são substanciais (20%), justificando potenciais medidas compensatórias.

Folha de S.Paulo: Tarifaço asfixia mais da metade das exportações de cinco setores brasileiros; veja quais
Valor Econômico: Setor de mineração alerta para riscos de retaliação contra Trump e cobra diálogo entre países

2. Brasil prepara isenção de impostos para atrair investimentos em data centers

O governo federal planeja lançar uma política nacional para atrair data centers, oferecendo isenção de impostos federais (importação, PIS, Cofins, IPI) por um ano para grandes empresas de tecnologia, especialmente em equipamentos e chips de alto desempenho. A expectativa é atrair até R$ 2 trilhões em investimentos em infraestrutura nos próximos 10 anos, consolidando o Brasil como hub digital e de IA.

Contudo, especialistas alertam para o risco de o Brasil se tornar apenas uma base de operação de baixo custo, sem efetiva transferência de tecnologia ou geração de propriedade intelectual, citando a Zona Franca de Manaus como precedente.

O custo da medida ainda não foi divulgado, e as isenções valem apenas para 2026, devido à reforma tributária de 2027. O projeto está em análise e pode ser enviado ao Congresso ainda este ano.

Folha de S.Paulo: Política de data centers prevê isenção de impostos federais para big techs por um ano

3. Com melhora na arrecadação, governo libera R$ 20 bi e revê déficit

Impulsionado pela arrecadação acima do esperado com o Imposto de Renda e pela previsão de receitas com o leilão do pré-sal, o governo reduziu a contenção de gastos de R$ 31,3 bilhões para R$ 10,7 bilhões, liberando R$ 20,6 bilhões para ministérios e órgãos públicos. O relatório bimestral também revisou a estimativa de déficit primário para R$ 26,3 bilhões em 2024, valor R$ 4,7 bilhões abaixo do piso da meta. O contingenciamento foi revertido integralmente, enquanto o bloqueio de recursos subiu marginalmente para R$ 10,7 bilhões.

Segundo o governo, os dados refletem medidas de contenção de despesas e melhora na arrecadação, como no caso do IOF, que deve render R$ 8,4 bilhões até o fim do ano. Apesar da melhora, o resultado fiscal ainda considera fatores extraordinários, como o pagamento de precatórios e ressarcimentos do INSS, o que eleva o déficit “real” para R$ 74,9 bilhões (0,6% do PIB). A equipe econômica reafirmou o compromisso com a meta de déficit zero para 2025 e superávit de 0,25% do PIB em 2026.

Valor Econômico: Receita projetada sobe, e governo reduz contenção

4. Crédito e confiança impulsionam consumo, mas cenário ainda exige cautela

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) registrou alta de 0,6% em julho (103,2 pontos), impulsionada por maior acesso ao crédito e perspectivas profissionais positivas. Todos os componentes do índice avançaram, com destaque para “perspectiva de consumo” e “acesso ao crédito”.

No entanto, o indicador ainda apresenta uma leve queda de 0,1% em relação a julho de 2024, refletindo retrações em “renda atual” e “percepção para aquisição de bens duráveis”. Apesar da recuperação, o consumo permanece moderado devido aos juros elevados, que encarecem o crédito e limitam compras de maior valor. Especialistas reforçam que a queda na intenção de compra de bens duráveis é esperada, dado o impacto da taxa Selic no orçamento familiar.

Valor Econômico: Crédito impulsiona, e indicador de consumo volta a subir, aponta CNC

5. Uso de bancos online cresce com Pix e bancarização

O uso da internet para acessar bancos e instituições financeiras no Brasil atingiu 119,6 milhões de pessoas em 2024, um aumento de 22,5 milhões desde 2022, representando 71,2% dos usuários de internet. Esse crescimento é impulsionado pela bancarização e, principalmente, pela consolidação do Pix, que já conta com quase 160 milhões de pessoas físicas cadastradas, consolidando a inclusão financeira digital. Além disso, o acesso a serviços públicos online e o comércio eletrônico também registraram avanços significativos. Os hábitos de uso da internet mostram que chamadas de voz/vídeo superaram o envio de mensagens como principal atividade. Embora não pesquisado pelo IBGE, o mercado de apostas online (“bets”) é um setor em rápida expansão. Esses dados do IBGE (PNAD Contínua) reforçam a rápida transformação digital do consumidor brasileiro, com implicações para estratégias de negócios e regulamentação.

Esse sucesso do Pix já gerou reação internacional. O governo dos Estados Unidos, sob comando de Donald Trump, abriu uma investigação alegando que o sistema brasileiro prejudica empresas americanas como Visa e Mastercard. A medida faz parte de um pacote mais amplo de tensões comerciais entre os dois países e reacende o debate sobre soberania tecnológica e competição global no setor financeiro.

Agência Brasil: Número de pessoas que acessam banco online cresce 22 milhões em 2 anos
G1: PIX: Febraban diz que investigação dos EUA deve-se a ‘informação incompleta’ sobre ‘objetivos e funcionamento’ do sistema