Brasil
27 de março de 2026

1. Juros sob cautela e inflação resistente
O Banco Central adotou um tom mais cauteloso após reduzir a taxa Selic para 14,75% ao ano, sem indicar novos cortes no curto prazo. Segundo a ata do Copom, o cenário de incerteza global, agravado por tensões no Oriente Médio e dúvidas sobre a economia dos Estados Unidos, dificulta a definição de uma trajetória clara para os juros. A autoridade monetária destacou que futuras decisões dependerão de novos dados, especialmente sobre inflação e atividade econômica, reforçando a necessidade de manter a política monetária restritiva por mais tempo.
Ao mesmo tempo, a inflação segue pressionada. O IPCA-15 de março desacelerou para 0,44%, mas veio acima das expectativas do mercado, com forte impacto dos preços de alimentos. O resultado mantém o alerta sobre o custo de vida e contribui para a cautela do Banco Central, já que as expectativas inflacionárias continuam acima da meta. Nesse contexto, o processo de queda dos juros tende a ser mais lento, condicionado à evolução dos preços e ao ambiente econômico global.
Agência Brasil: Ata do Copom: BC não indica mais cortes na taxa de juros
Exame: IPCA-15 de março desacelera para 0,44%, mas fica acima da expectativa do mercado
2. Inflação sob pressão global
A escalada da guerra envolvendo o Irã reacendeu temores de inflação no mundo, com projeções indicando que a taxa média pode saltar de cerca de 2% para até 6%, impulsionada principalmente pelo choque nos preços da energia. O petróleo, que estava próximo de US$ 60 no início do ano, já gira em torno de US$ 100, pressionando combustíveis e custos de produção. Esse movimento tende a reduzir o poder de compra das famílias e comprimir margens das empresas, ainda que, por enquanto, não haja sinais de uma recessão global profunda.
Apesar da resiliência da economia mundial, o cenário preocupa pela persistência da inflação e pela limitação dos bancos centrais em reagir com alta de juros. Além disso, governos podem ser forçados a adotar medidas de alívio, como subsídios, o que amplia riscos fiscais, especialmente em países ricos. Assim, mesmo sem uma crise econômica severa no curto prazo, o impacto mais duradouro da guerra pode ser o agravamento do custo de vida e das contas públicas globais.
Folha de S.Paulo: Inflação global pode saltar de 2% para 6% sob efeito da Guerra no Irã
3. Plano do governo para problema do diesel enfrenta resistência dos estados
A proposta do Ministério da Fazenda para subsidiar o diesel gerou preocupação entre os estados, principalmente pelo impacto fiscal. O plano prevê um subsídio de R$ 1,20 por litro de diesel importado, com custo dividido entre União e entes federativos. Inicialmente, o governo federal arcaria com o valor, mas depois descontaria a parte dos estados diretamente do Fundo de Participação dos Estados (FPE), o que levanta dúvidas sobre perdas de receita e falta de clareza nos cálculos.
Secretários estaduais avaliam que a medida pode forçar cortes em áreas essenciais, como saúde e educação, especialmente em estados mais dependentes do FPE. Além disso, há críticas ao caráter político da proposta e à falta de detalhes técnicos, o que aumenta a incerteza sobre sua implementação. A adesão total dos estados é vista como condição-chave, mas ainda há dúvidas sobre como o governo lidaria com uma eventual participação parcial, tornando o desfecho da proposta incerto.
O Globo: Estados temem impacto fiscal e têm dúvidas sobre proposta da Fazenda para subvenção do diesel
4. Planalto estuda ajustes no crédito ao consumidor
O governo estuda mudanças no crédito rotativo do cartão diante do avanço do endividamento das famílias, que já compromete cerca de 29% da renda – o maior nível em duas décadas. A avaliação interna é de que o aumento de renda recente vem sendo consumido pelo pagamento de dívidas, o que reduz o poder de consumo e gera desgaste político, especialmente em ano eleitoral. O rotativo aparece como principal foco de preocupação, com inadimplência elevada e juros mensais que superam até a taxa básica anual da economia.
Entre as medidas em discussão estão limites mais rígidos para os juros do rotativo, possíveis tetos para outras linhas de crédito e ajustes no consignado privado, incluindo o uso do FGTS como garantia para baratear as taxas. Apesar de já existir um limite que impede a dívida de dobrar com encargos, o governo avalia que isso não foi suficiente. A iniciativa, porém, divide opiniões: enquanto pode aliviar o consumidor, o setor financeiro alerta para riscos como restrição de crédito e impacto no consumo, caso as regras se tornem mais duras.
Valor Econômico: Lula quer mudanças no crédito rotativo diante da alta do endividamento da população
5. Acordo Mercosul-UE avançaz Selic a 14,75%
O governo brasileiro informou que o acordo entre o Mercosul e a União Europeia entrará em vigor provisoriamente em 1º de maio de 2026, após a conclusão das etapas iniciais de ratificação. O tratado, negociado por mais de 25 anos, prevê a redução de tarifas, eliminação de barreiras comerciais e maior previsibilidade regulatória, criando oportunidades para exportações, investimentos e integração do Brasil a cadeias globais. A medida deve ampliar o acesso a um mercado de cerca de 450 milhões de consumidores e beneficiar tanto o agronegócio quanto a indústria.
Apesar do avanço, o acordo ainda enfrenta resistências dentro da Europa, especialmente de países como a França, que temem impactos negativos sobre o setor agrícola. Enquanto nações como Alemanha e Espanha apoiam o tratado por enxergarem ganhos comerciais e estratégicos, críticas de agricultores e ambientalistas mantêm o debate aberto. Além disso, o texto ainda passará por análise jurídica e política no bloco europeu, o que pode atrasar sua implementação definitiva, mesmo com a aplicação provisória já prevista.
G1: Governo diz que acordo do Mercosul com União Europeia entra em vigor provisoriamente em 1º de maio