Brasil
29 de maio de 2026

1. IPCA-15 acelera e supera expectativas em maio com pressão de alimentos
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) registrou uma alta de 0,62% em maio de 2026, superando as projeções do mercado que estimavam um avanço de 0,53%. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o acumulado dos últimos 12 meses atingiu 4,64%, também acima do esperado. O principal motor dessa aceleração foi o grupo de alimentação e bebidas, que subiu 1,38% e contribuiu com 0,30 ponto percentual para o índice geral, com destaque para o aumento de 1,73% nos itens consumidos no domicílio.
Em contrapartida, o setor de transportes apresentou uma deflação de 0,33%, exercendo uma influência negativa no índice após a forte alta registrada em abril. Esse recuo foi impulsionado pela queda expressiva nos preços dos combustíveis, que recuaram 1,47% no mês; especificamente, o etanol teve uma redução de 2,73% e a gasolina caiu 1,32%. Enquanto os custos de alimentação fora de casa também desaceleraram levemente para 0,51%, o cenário geral aponta para uma pressão inflacionária mais persistente do que a prevista por analistas.
InfoMoney: IPCA-15 sobe 0,62% em maio, acima do esperado pelo mercado
Valor Econômico: Mercado eleva previsão de alta do IPCA de 2026 de 4,92% para 5,04%, mostra Focus
2. Câmara aprova PEC que permite o fim da escala 6×1
A Câmara dos Deputados aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que possibilita o fim da escala de seis dias de trabalho por um de folga. O texto estabelece a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas e determina a exigência de duas folgas remuneradas por semana, preferencialmente aos domingos, que entrará em vigor 60 dias após a promulgação. A votação expressiva registrou 472 votos a favor e 22 contra no primeiro turno, e 461 favoráveis e 19 contrários no segundo turno, mantendo o parecer do relator, que já havia sido aprovado na comissão especial.
A transição da jornada será realizada em duas etapas após a promulgação da PEC, com a redução das primeiras duas horas em até dois meses e as duas horas restantes em até 12 meses subsequentes. O texto prevê que convenções e acordos coletivos incompatíveis com as novas regras perderão a validade automaticamente após 60 dias da promulgação, forçando negociações entre sindicatos e empresas. Ficarão excluídos das novas regras os profissionais com diploma de nível superior que recebem a partir de duas vezes e meia o teto do INSS (cerca de R$ 21,1 mil), com o intuito de combater a “pejotização” e garantir liberdade à alta renda. Na avaliação de economistas, o debate precisa ser acompanhado de discussões sobre ganhos de produtividade no país.
G1: Fim da escala 6×1: Câmara aprova PEC; como votaram deputados e partidos nos dois turnos
3. Governo oficializa subsídio de R$ 0,44 por litro para conter alta da gasolina
O Governo Federal publicou o decreto que regulamenta uma subvenção de R$ 0,44 por litro para produtores e importadores de gasolina. A medida faz parte de um pacote emergencial para mitigar os impactos da disparada do preço internacional do petróleo, impulsionada pelos conflitos no Oriente Médio. O subsídio será pago diretamente por meio da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e tem como objetivo amortecer o repasse da volatilidade externa para os consumidores brasileiros nas bombas.
A iniciativa surge como uma resposta temporária enquanto o Congresso Nacional não conclui a votação de projetos que visam estabilizar os preços dos combustíveis em momentos de crise. Com um custo estimado de R$ 1,2 bilhão mensal, o governo argumenta que o impacto fiscal será compensado pelo aumento da arrecadação gerado pela própria valorização do petróleo. O decreto também estabelece regras de transparência, exigindo que os postos informem o desconto diretamente na nota fiscal, sob pena de devolução dos recursos com juros em caso de descumprimento ou fraude.
G1: Governo publica decreto que fixa em R$ 0,44 subsídio por litro da gasolina
4. Trabalhadores já podem usar o FGTS para pagar dívidas
Os trabalhadores brasileiros que possuem contas ativas ou inativas no FGTS poderão utilizar os saldos para quitar ou amortizar dívidas renegociadas pelo programa Desenrola Brasil. A nova funcionalidade é voltada para a Faixa 1 do programa, que atende pessoas com renda de até dois salários mínimos ou inscritas no CadÚnico. Segundo o Ministério da Fazenda, a medida visa ampliar o leque de opções de pagamento para os cidadãos negativados, permitindo que utilizem um recurso próprio já existente para limpar o nome e recuperar o acesso ao crédito no mercado.
O processo de consulta e movimentação dos valores deve ser feito diretamente pela plataforma oficial do Desenrola Brasil, de forma integrada ao aplicativo do FGTS da Caixa Econômica Federal. Para garantir a segurança da operação, o trabalhador precisará autorizar o compartilhamento de dados entre os sistemas antes de confirmar o abatimento do saldo devedor. O governo ressalta que o uso do fundo é opcional e que as regras de saque tradicionais, como em casos de demissão sem justa causa ou compra da casa própria, permanecem inalteradas para o restante do saldo não utilizado na negociação.
Agência Brasil: Desenrola Brasil: uso do FGTS para pagar dívidas começa nesta segunda
5. Índice de Confiança da Indústria sobe em maio de 2026
O Índice de Confiança da Indústria (ICI), medido pelo Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), registrou uma alta de 1,1 ponto em maio, atingindo 97,1 pontos, enquanto a média móvel trimestral avançou 0,1 ponto, situando-se em 96,6 pontos. Esse crescimento foi impulsionado pela melhora da confiança em 12 dos 19 segmentos industriais pesquisados. De acordo com a FGV, o resultado positivo reflete uma recuperação na percepção sobre a situação atual, com sinais de melhora no nível da demanda e a normalização dos estoques após os impactos iniciais dos conflitos no Oriente Médio na maioria dos setores.
Embora o Índice de Situação Atual (ISA) tenha avançado 2,2 pontos e alcançado 98,7 pontos — seu maior patamar desde maio —, o Índice de Expectativas (IE) registrou uma estabilidade relativa ao subir apenas 0,1 ponto, para 95,6 pontos. Os empresários mantêm um sinal de alerta e cautela em relação aos próximos meses devido a um ambiente de incerteza que pode gerar impactos negativos na produção e nos negócios. Essa preocupação com o futuro é observada sobretudo nos segmentos industriais relacionados aos bens de consumo não duráveis.
Valor Econômico: Índice de Confiança da Indústria sobe para 97,1 pontos em maio, aponta FGV