Brasil

5 de dezembro de 2025

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1. Tesouro rejeita condições e força recuo dos Correios em operação bilionária

A tentativa dos Correios de contratar um empréstimo de R$ 20 bilhões com bancos esbarrou em um veto do Tesouro Nacional, que recusou conceder a garantia soberana necessária para a operação. A decisão foi informada à estatal após análise técnica que apontou juros acima do limite permitido: a proposta das instituições financeiras girava em torno de 120% a 136% do CDI, enquanto o teto estabelecido pelo comitê de garantias é de 120%. Diante da negativa, a empresa suspendeu a contratação e comunicou os bancos, abrindo espaço para uma nova rodada de negociações.

Sem o empréstimo, cresce a pressão sobre o caixa dos Correios, que acumulam prejuízo crescente e registraram déficit de R$ 6,1 bilhões até setembro. A estatal pode ter de buscar novas concessões dos bancos ou, em última instância, recorrer a um aporte direto do Tesouro – hipótese que exigiria espaço no Orçamento e respeito às regras fiscais. Enquanto isso, o Ministério da Fazenda deverá reavaliar o plano de reestruturação apresentado pela empresa, que tenta comprovar capacidade futura de pagamento e evitar que sua situação financeira delicada se transforme em risco imediato para a União.

Folha de S.Paulo: Tesouro rejeita dar garantia, e empréstimo de R$ 20 bi dos Correios é suspenso

2. Atividade econômica perde ritmo enquanto inflação recua

O PIB brasileiro avançou apenas 0,1% no terceiro trimestre de 2025, sinalizando uma economia em desaceleração após um primeiro semestre mais aquecido. Embora tenha alcançado o maior patamar da série histórica e acumulado 17 trimestres seguidos de crescimento, o resultado veio abaixo das projeções do mercado e mostrou perda de tração nos serviços, que ficaram praticamente estáveis. Na comparação anual, o avanço de 1,8% foi sustentado principalmente pelo desempenho robusto da agropecuária, enquanto consumo das famílias, investimentos e indústria apresentaram crescimento moderado.

Em paralelo ao ritmo mais lento da atividade, o mercado financeiro reduziu pela terceira semana consecutiva a previsão de inflação para 2025, agora em 4,43%, aproximando o IPCA do teto da meta e refletindo a desaceleração dos preços após o resultado historicamente baixo de outubro. Apesar desse alívio, o Banco Central mantém a Selic em 15% ao ano e sinaliza cautela diante do cenário externo incerto e da inflação ainda acima do centro da meta. As projeções indicam juros elevados por mais tempo, num ambiente em que a economia esfria enquanto a política monetária segue restritiva para consolidar o controle dos preços.

G1: PIB fica estável e cresce 0,1% no 3º trimestre, diz IBGE
Agência Brasil: Mercado reduz previsão da inflação para 4,43% este ano

3. Indústria mostra fraqueza reforçando cenário de desaceleração

A produção industrial brasileira avançou apenas 0,1% em outubro, após queda de 0,4% em setembro, sinalizando perda de fôlego e desempenho abaixo das expectativas do mercado. Na comparação anual, houve retração de 0,5%, enquanto o ritmo acumulado em 12 meses desacelerou para 0,9%. Apesar de estar 2,4% acima do nível pré-pandemia, o setor permanece distante do recorde de 2011 e enfrenta desafios estruturais. O destaque positivo veio das indústrias extrativas, com alta de 3,6% impulsionada pela maior extração de petróleo, minério de ferro e gás natural.

A combinação de juros elevados, com a Selic mantida em 15%, e o impacto das tarifas americanas sobre produtos industriais tem limitado investimentos e pressionado a atividade. Especialistas apontam que a acomodação do setor industrial é reflexo de uma economia que deve crescer menos em 2025, conforme já indicam as projeções do boletim Focus. Com expectativa de manutenção da política monetária na próxima reunião do Banco Central, o mercado trabalha com início do ciclo de cortes apenas a partir de março, enquanto entidades como a Fiesp projetam avanço modesto para o setor nos próximos anos.

IstoÉ Dinheiro: Produção industrial no Brasil cresce 0,1% em outubro, abaixo do esperado

4. Ibovespa bate recorde impulsionado por cenário externo favorável

O Ibovespa ultrapassou pela primeira vez os 161 mil pontos e encerrou o pregão da terça-feira (2) em alta de 1,56%, embalado pelo otimismo global diante das apostas cada vez maiores de que o Federal Reserve iniciará cortes de juros já na próxima reunião de dezembro. A sinalização de enfraquecimento da atividade industrial norte-americana reforçou a expectativa de afrouxamento monetário nos EUA, dando fôlego às bolsas internacionais e sustentando o avanço brasileiro. Enquanto isso, o dólar caiu 0,57% frente ao real, acompanhando o movimento de desvalorização da moeda americana no exterior.

Nos Estados Unidos, os principais índices avançaram em meio às projeções de que 87,6% do mercado já aposta em um corte de 25 pontos-base na taxa de juros. Investidores monitoram tanto a decisão do Fed quanto a possível sucessão de Jerome Powell, com Kevin Hassett, defensor de juros mais baixos, entre os cotados. O ambiente internacional benigno, somado às perspectivas eleitorais domésticas, reforçou o apetite por risco e elevou o Ibovespa a um novo patamar histórico.

CNN Brasil: Bolsa renova recorde e fecha acima de 161 mil pontos pela 1ª vez; dólar cai

5. Lula sinaliza novas revogações de tarifas após conversa com Trump

Após conversa com Donald Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil pode esperar uma nova rodada de revogações de tarifas impostas pelos Estados Unidos. Segundo Lula, o diálogo reforçou a importância de estreitar relações entre as duas maiores democracias do Ocidente e de revisar sobretaxas consideradas injustificadas pelo governo brasileiro. Nas últimas semanas, parte das tarifas, que haviam atingido 50% em agosto, já foi retirada, incluindo taxas sobre produtos como café e carne. Lula afirmou estar “convencido” de que mais anúncios positivos serão feitos em breve, indicando avanços diplomáticos adicionais.

Além das questões comerciais, Lula e Trump também discutiram cooperação no combate ao crime organizado e investigações sobre lavagem de dinheiro envolvendo empresas brasileiras nos EUA. O presidente destacou que Trump demonstrou disposição em apoiar ações conjuntas e disse que pretende retomar o diálogo nos próximos dias para acompanhar novos desdobramentos.

O Globo: Após conversa com Trump, Lula diz que Brasil pode esperar novas revogações de tarifas