Brasil

5 de junho de 2026

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1. EUA avançam com proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

Os Estados Unidos deram mais um passo na disputa comercial com o Brasil ao concluir uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio (USTR) e propor a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras. O processo, iniciado em 2025 com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, concluiu que determinadas políticas e práticas adotadas pelo governo brasileiro seriam prejudiciais ao comércio americano. Antes de uma eventual implementação das sanções, a proposta será submetida a uma etapa de consulta pública.

A medida prevê exceções para alguns produtos e ainda não representa uma decisão definitiva, mas amplia as incertezas nas relações comerciais entre os dois países. O governo brasileiro classificou a proposta como sem fundamentação técnica consistente e avalia que, embora a tarifa sugerida seja considerada elevada, outras sanções poderiam ter impactos ainda mais severos. O desfecho da consulta pública e as negociações diplomáticas serão determinantes para definir os próximos passos do caso.

O Globo: EUA propõem tarifa de 25% sobre mercadorias do Brasil após conclusão de investigação comercial

2. Subsídio mantém diesel estável e preço do combustível aéreo é reduzido

A Petrobras anunciou um reajuste de R$ 1,12 por litro no diesel de uso rodoviário, mas a medida não terá impacto para as distribuidoras graças à subvenção concedida pelo governo federal às refinarias nacionais e importadoras. Na prática, o subsídio compensa integralmente o aumento, preservando os preços praticados no mercado. A iniciativa faz parte do pacote adotado para conter os efeitos da alta do petróleo provocada pelas tensões no Oriente Médio, que elevaram os custos da commodity no mercado internacional.

Ao mesmo tempo, a estatal reduziu em 14,2% o preço médio do querosene de aviação (QAV) para distribuidoras a partir de junho, equivalente a uma queda de R$ 0,93 por litro. Segundo a empresa, o movimento reflete uma acomodação das cotações internacionais após meses de forte pressão causada pelo cenário geopolítico. Apesar do recuo recente, o combustível de aviação ainda acumula alta de 54,5% em 2026, evidenciando os impactos persistentes da volatilidade do mercado global de energia.

G1: Petrobras ajusta preços do diesel de uso rodoviário em R$ 1,12; distribuidoras não terão impacto
Folha de S.Paulo: Petrobras reduz em 14,2% preço do querosene de aviação a partir desta segunda

3. Mercado eleva projeção da inflação e mantém expectativa para os juros

As projeções do mercado financeiro para a inflação voltaram a subir, segundo o Boletim Focus do Banco Central. A estimativa para o IPCA em 2026 avançou de 5,04% para 5,09%, marcando a 12ª alta consecutiva, enquanto as previsões para 2027 e 2028 também registraram leves ajustes para cima. O movimento reforça a percepção de que o cenário inflacionário seguirá pressionado nos próximos anos.

Por outro lado, a expectativa de crescimento da economia apresentou pequena melhora, com a projeção do PIB de 2026 passando de 1,89% para 1,90%. As estimativas para a taxa Selic permaneceram inalteradas em todo o horizonte analisado, com previsão de 13,25% ao fim de 2026. Já o câmbio teve leve revisão para baixo, com o mercado passando a projetar um dólar mais barato tanto em 2026 quanto em 2027.

Exame: Focus eleva projeção do IPCA de 5,04% para 5,09% em 2026

4. Pacote de crédito impulsiona economia e gera debate fiscal

O governo anunciou um conjunto de medidas de crédito com potencial de gerar ao menos R$ 27,25 bilhões em subsídios implícitos, segundo estimativas do Ministério da Fazenda. Os recursos serão direcionados a programas voltados para habitação, aquisição de veículos, renovação de frota de caminhões, apoio à indústria e financiamento de empresas, por meio de linhas com juros abaixo do custo de captação do Tesouro. Entre as iniciativas de maior porte estão os financiamentos para compra de veículos por motoristas de aplicativo e taxistas, a ampliação de recursos para o programa habitacional e novas linhas de apoio a setores produtivos.

Embora os gastos não impactem diretamente as metas fiscais por serem classificados como despesas financeiras, especialistas e órgãos de controle apontam efeitos sobre a trajetória da dívida pública. O debate também envolve questões de transparência, já que parte dos custos das medidas ainda não foi detalhada oficialmente. Enquanto a equipe econômica argumenta que os programas podem estimular a atividade econômica e beneficiar segmentos específicos da população, críticos avaliam que o uso crescente de crédito subsidiado dificulta a mensuração dos custos e amplia os desafios para a gestão das contas públicas no longo prazo.

Folha de S.Paulo: Pacote de bondades do governo Lula prevê ao menos R$ 27 bi em subsídios ao crédito

5. Copa do Mundo deve impulsionar varejo, com destaque para alimentos e vestuário

A Copa do Mundo de 2026 deve movimentar R$ 4,32 bilhões no varejo brasileiro, valor 6,5% superior ao registrado na edição de 2022, segundo estimativas da Confederação Nacional do Comércio (CNC). O desempenho é sustentado pelo fortalecimento do mercado de trabalho, pela queda da taxa de desemprego e pelo avanço da renda da população, fatores que ajudaram a ampliar o poder de compra dos consumidores mesmo em um cenário de juros elevados. A expectativa é de que o evento fortaleça o consumo em diversos segmentos, reforçando o papel das grandes datas esportivas como impulsionadoras da atividade comercial.

Os supermercados devem concentrar a maior parte das vendas relacionadas à competição, respondendo por quase 70% do faturamento previsto, seguidos pelos setores de vestuário e acessórios. Em contrapartida, a tradicional corrida pela compra de televisores perdeu força nesta edição. Apesar de uma leve alta recente nas buscas por Smart TVs, o interesse segue abaixo dos níveis observados nas três Copas anteriores, refletindo o impacto do crédito mais caro sobre bens de maior valor. Com isso, a tendência é de que os consumidores priorizem alimentos, bebidas e produtos de consumo imediato durante o torneio.

Valor Econômico: Copa deve movimentar R$ 4,32 bi no varejo, 6,5% acima de 2022, diz CNC