Brasil

8 de maio de 2026

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1. Copom adota cautela diante da alta nas expectativas de inflação

O Comitê de Política Monetária (Copom) mostrou-se mais cauteloso diante de um cenário de maior incerteza e da piora das expectativas de inflação. O Banco Central (BC) apontou que os dados recentes vieram “significativamente acima dos inicialmente esperados” e demonstrou preocupação com a desancoragem das projeções, ao citar a alta da mediana do Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2028 no Boletim Focus. O colegiado reafirmou compromisso no combate aos efeitos do choque do petróleo e disse que seguirá reunindo mais informações antes de avançar.

Ao mesmo tempo, o Copom destacou os efeitos da política monetária sobre a atividade e manteve a indicação de que pretende calibrar os juros reunião a reunião, sem compromisso com um ciclo longo de cortes. No mercado, cresceu a aposta em redução de 0,25 ponto da taxa básica de juros, a Selic, em junho, enquanto a chance de manutenção caiu. Analistas avaliam que a guerra no Irã pressiona as projeções, mas veem o BC disposto a decidir com base em dados e no cenário externo.

Valor Econômico: Ata mostra preocupação do Copom com alta de expectativas de inflação

2. Exportações de carne bovina podem cair 10% em 2026

As exportações de carne bovina do Brasil podem recuar cerca de 10% em 2026 em comparação a 2025 por causa das restrições tarifárias impostas pela China, afirmou o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa. Segundo ele, a produção voltada ao mercado chinês deve ser interrompida por volta de junho, e o setor terá de ampliar o consumo interno para absorver o volume que deixará de ser embarcado ao principal destino da proteína brasileira.

Perosa disse que não há mercado capaz de substituir a China, que comprou 1,7 milhão de toneladas em 2025, dentro de um total exportado de 3,5 milhões. A entidade já trabalhava com cenário mais otimista, mas agora vê a abertura da Coreia do Sul fora de alcance em 2026. O setor ainda aposta no Japão e tenta avançar na Turquia, onde o Brasil negocia a realização de testes por lotes, e não em toda a carne.

G1: Exportação de carne bovina do Brasil pode cair 10% em 2026 com restrição da China, diz Abiec

3. Governo atrasa pagamento da subvenção ao diesel

O governo ainda não pagou nenhuma das empresas habilitadas para a subvenção ao óleo diesel, criada para tentar reduzir os impactos da guerra no Irã sobre o consumidor brasileiro. O primeiro ressarcimento, referente às vendas de março, venceu em 30 de abril sem autorização da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Petrobras, importadoras e distribuidoras já enviaram notas fiscais, mas aguardam a verificação dos dados. A agência afirma que precisa de acesso às informações da Receita Federal, em acordo ainda em negociação.

O atraso amplia as incertezas sobre o programa, que teve adesão inicial baixa. A subvenção prevê R$ 1,52 por litro de diesel importado e R$ 1,12 por litro do nacional para empresas que vendam abaixo do preço-teto. Para atrair mais participantes, a ANP elevou esse teto e publicou novos preços para o quinto período, com alta de R$ 0,28 por litro no diesel importado. O diesel subiu após a guerra, mas recuou nas últimas três semanas e segue acima do patamar anterior aos ataques. 

Folha de S. Paulo: Governo atrasa primeiros pagamentos de subvenção ao diesel

4. Desenrola 2.0 mira dívidas de famílias com bancos

A adesão ao novo Desenrola Brasil já começou e será voltada a quem ganha até cinco salários-mínimos, ou R$ 8.105. O programa mira dívidas no cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal não consignado e Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Segundo o Ministério da Fazenda, o desconto médio deve ser de 65%, com juros limitados a 1,99% ao mês e abatimentos entre 30% e 90% do valor original.

As renegociações serão feitas diretamente com os bancos e o programa ficará aberto por três meses. Há previsão de até um mês de carência para a primeira parcela, com limpeza do nome nos cadastros de inadimplência, e prazo de pagamento de até quatro anos. O uso de até 20% do saldo do FGTS para abater a dívida também será permitido. Quem aderir ficará impedido de apostar em bets por um ano. Em 2023, a primeira versão do Desenrola Brasil beneficiou mais de 15 milhões de pessoas e renegociou R$ 53 bilhões.

O Globo: Quando começa o Desenrola 2.0 e quem pode aderir ao programa?

5. Juros do Reforma Casa Brasil caem e prazo para pagar é ampliado

O Conselho Monetário Nacional aprovou a redução dos juros do Reforma Casa Brasil, programa federal voltado à reforma de moradias populares. A taxa mensal caiu de 0,99% para 0,82%, e o prazo de pagamento subiu de 60 para 72 meses. As mudanças, que passam a valer após publicação oficial, buscam tornar as parcelas mais leves e facilitar obras como construção, ampliação e pequenas reformas em casas de famílias de baixa renda.

O programa é destinado a famílias já enquadradas no Minha Casa Minha Vida e usa recursos do Fundo Social para financiar as intervenções. O governo prevê R$ 24,8 bilhões para 2026, além de R$ 10,7 bilhões já empenhados em 2025 e R$ 2 bilhões operados pela Caixa. A ampliação do prazo é estimada em subsídio de R$ 567 milhões. Segundo o governo, a medida também deve aquecer a construção civil e estimular emprego e renda.

Agência Brasil: Juros do programa Reforma Casa Brasil são reduzidos