Brasil

Sexta-feira, 9 outubro de septembro de 2020

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1. Governo negocia abertura para utilizar ‘orçamento de guerra’ no ano que vem

O governo federal negocia com o Congresso uma abertura para que o modelo de “orçamento de guerra” adotado neste ano devido à pandemia possa ser utilizado em 2021, caso haja necessidade. A equipe econômica assegura que não pretende furar o teto de gastos, que limita as despesas públicas aos gastos do ano anterior, mas quer ter uma garantia para uma eventual segunda onda do coronavírus, ou outra situação de calamidade pública nacional.

A principal ideia do governo é incluir uma cláusula no Pacto Federativo prevendo um orçamento paralelo emergencial em caso de calamidade. Em contrapartida, a equipe econômica do presidente Jair Bolsonaro assume o compromisso de cortar gastos, com o congelamento de salários dos servidores e a suspensão de concursos públicos para preenchimento de cargos vagos. Entre os parlamentares, a avaliação é a de que os impactos da pandemia ainda serão sentidos em 2021 e, por isso, a medida não é descartada.

O Estado de S. Paulo: Governo diz que orçamento de guerra será para calamidades

2. Relatório do FMI faz alerta sobre riscos ‘excepcionalmente altos’ para o país

Missão do FMI (Fundo Monetário Internacional) concluiu relatório sobre a economia brasileira nesta semana e apontou que o país enfrenta “riscos excepcionalmente altos e multifacetados”. De acordo com a instituição, uma segunda onda do coronavírus e a dívida pública em patamar alto estão entre as principais ameaças ao Brasil, pois podem resultar em consequências de longo prazo de “uma recessão prolongada” e “vulnerabilidade a choques de confiança”.

Mas o relatório também traz avaliações positivas e melhora a projeção para o PIB (Produto Interno Bruto) neste ano, saindo de -9,1% para uma retração de 5,8%. Para o ano que vem, no entanto, o FMI prevê crescimento de 2,8%, menor que os 3,6% previstos anteriormente. A redução do pagamento do auxílio emergencial é apontada como uma das causas da recuperação moderada do consumo privado nos próximos meses.

Valor Econômico: FMI aponta riscos altos para o país

3. Reajuste de preço de alimentos causa aumento mensal recorde da inflação

O reajuste de preços dos alimentos empurrou a inflação para o maior aumento mensal em 17 anos. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo subiu 0,64% em setembro. A inflação oficial acumulada dos últimos 12 meses agora é de 3,14%. Aumento da demanda de consumo interno, com mais gente cozinhando em casa, e alta do dólar são apontados pelos pesquisadores como principais motivos da alta. No grupo de alimentos, os vilões para o consumidor foram óleo de soja (27,54%) e arroz (17,98%).

Outra pesquisa, da Fundação Getulio Vargas, mostra que inflação percebida na população mais pobre também bateu recorde. O índice de preços às famílias com renda de até 2,5 salários mínimos (R$ 2.612,50) subiu 0,89%, mais do que entre as que ganham até 33 salários mínimos (R$ 34.485,00), com 0,82%. No acumulado de 12 meses, os mais pobres tiveram uma inflação de 4,54%, enquanto os que têm renda maior tiveram 3,62% no mesmo período.

Folha de S.Paulo: Inflação oficial bate recorde e sobe 0,64%
Valor Econômico: Inflação dos mais pobres aumenta em setembro

4. Brasileiros poupam mais durante a pandemia e saldo atinge R$ 1 trilhão

Pela primeira vez na história, o saldo da caderneta de poupança no Brasil atingiu R$ 1 trilhão, segundo dados divulgados nesta semana pelo Banco Central. Os depósitos superaram os saques em setembro em R$ 13,2 bilhões. Medidas governamentais, como liberação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e concessão de auxílio emergencial, ajudam a explicar o movimento dos poupadores.

Somente em setembro, segundo o Banco Central, os brasileiros depositaram R$ 294 bilhões, o maior montante em um único mês desde 1995. Em contrapartida, os saques também bateram recorde e atingiram R$ 280 bilhões. Segundo analistas, a caderneta de poupança passou a atrair mais os pequenos investidores devido à nova realidade de juros básicos no país, com aumento do deságio de Letras Financeiras do Tesouro Nacional e a isenção da cobrança de Imposto de Renda.

6 Minutos: “Patinho feio”, poupança tem captação recorde

5. Brasil já acumula mais de 5 milhões de casos confirmados de coronavírus

O Brasil já acumula mais de 5 milhões de casos confirmados de Covid-19, mas especialistas afirmam que devido à subnotificação o coronavírus já infectou mais de 30 milhões de pessoas. Com cerca de 150 mil mortes contabilizadas até o momento, epidemiologistas apontam que a curva descendente da doença no país acontece de forma mais lenta do que em países europeus. Em números absolutos, o Brasil é o terceiro país em casos confirmados e o segundo em mortes em todo o mundo.

Nesta semana, o Ministério da Saúde anunciou o pagamento inicial de R$ 830 milhões, de um total de R$ 2,5 bilhões, para garantir ao país 140 milhões de doses de vacina contra o coronavírus em 2021, previsto na iniciativa global de vacinação Covax, da Organização Mundial da Saúde. O governo não descarta a possibilidade de compra e utilização de outros medicamentos, como a vacina chinesa Sinovac, que será usada em campanha de imunização no estado de São Paulo, por meio de parceria do fabricante com o Instituto Butantã.

O Globo: Número de pessoas contaminadas é 6 vezes maior
O Estado de S. Paulo: Governo federal fecha acordo para 140 milhões de vacinas
O Globo: Acompanhe notícias sobre a pandemia
IRRD Covid-19: Veja o mapeamento de casos no Brasil e no mundo