Quando a inteligência é artificial, o diferencial é humano

Desde o final de 2022, quando o mundo foi apresentado ao ChatGPT, a Inteligência Artificial se tornou o foco principal das transformações tecnológicas e de negócios. Para quem se formou profissionalmente durante a revolução digital dos anos 1990 e início dos 2000, houve um verdadeiro déjà vu. No início daquela era de inovação, a informação era medida em kilobytes e os faxes ainda circulavam pelo mundo. E, embora tenhamos visto avanços drásticos e aumentos na velocidade da comunicação e dos negócios, a transformação provocada pela IA hoje faz os últimos 25 anos parecerem a era do gelo.
Um dos mercados líderes em investimento e adoção de IA, o Brasil tem programas como a Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial (EBIA), que prevê investimentos de R$ 23 bilhões até 2028 para impulsionar o desenvolvimento da tecnologia no país. Um estudo de 2025 da Amazon Web Services aponta que 93% das empresas brasileiras entrevistadas estão adotando ferramentas de IA. Mas será que o setor de Relações Públicas no Brasil está pronto para essa transformação? O Brasil é um mercado sofisticado de RP, que valoriza a criatividade, o engajamento e a reputação corporativa. O que podemos esperar que mude? O que precisamos mudar?
Impacto da IA em agências e profissionais
Para as agências e profissionais, é hora de reavaliar literalmente tudo. Já nos adaptamos à desintegração da antiga ordem midiática, à fragmentação dos canais de comunicação e ao domínio dos criadores de conteúdo. A IA não nos substitui, ela nos potencializa. Com IA, podemos ampliar e aprimorar nossas análises e estratégias, lidando com volumes massivos de informações e incorporando previsões precisas aos nossos processos. Nossos clientes, porém, ainda precisarão de nós para dar sentido a tudo isso. Mais do que nunca, eles precisam que sejamos descobridores de insights, construtores de diferenciação e solucionadores inteligentes de problemas. As agências estão em busca de “encantadores de IA” – profissionais curiosos, dispostos a explorar continuamente como aproveitar a IA para tornar seus clientes mais bem-sucedidos.
O setor de RP é baseado em experiência: ninguém começa a carreira sabendo como gerenciar uma crise, executar um evento impecável ou conduzir uma sessão estratégica com um cliente. À medida que as aplicações de IA assumem mais processos, é a nossa experiência que passa a determinar nosso valor. Para os profissionais menos experientes, é uma boa ideia desenvolver habilidades e se especializar em áreas específicas, como análise de dados, estratégia criativa e marketing digital, ou adquirir expertise em determinados setores. Nossos clientes sempre valorizaram esse tipo de insight – e a IA vai aprofundar ainda mais essa tendência à especialização no mercado.
Novas definições de valor
Os clientes de agências também terão que lidar com as novas realidades trazidas pela IA. Talvez a maior mudança para nosso setor seja a necessidade de focar em resultados em vez de quantidade de pessoas envolvidas para realização de um projeto. A IA vai permitir que todos façam mais tarefas operacionais em menos tempo, mas isso significa aumento do valor agregado em especialização, experiência e capacidade analítica — e não uma redução no custo. As empresas sempre reconheceram o valor da excelência e do conhecimento especializado, mas no setor de RP muitas vezes ainda somos levados a discussões sobre o tamanho da equipe ou a porcentagem de dedicação de um profissional, em vez de focarmos nas entregas finais e nas conquistas do projeto. De agora em diante, clientes e agências precisarão trabalhar juntos para definir claramente os resultados esperados. Felizmente, a IA trouxe novas formas de resolver o dilema antigo da nossa área: como prever e mensurar o impacto da comunicação na reputação de uma organização.
Libertação pela IA
Algumas empresas podem ter dificuldade para romper velhos hábitos, mas do outro lado dessas barreiras estão a clareza, a produtividade e o aumento de valor. A IA ajuda clientes e agências a estarem mais bem informados, mais preparados e mais seguros quanto aos resultados. Ela também cria uma dinâmica em que podemos nos concentrar nos resultados em vez do processo, permitindo que os clientes exijam das suas agências os mais altos padrões de inteligência, criatividade e serviço.