Brasil

01 de Agosto de 2025

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1. Donald Trump oficializa tarifaço

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, oficializou o tarifaço que vinha anunciando publicamente desde o início do mês de julho. Dentro de sete dias, contados a partir da assinatura do decreto, os produtos importados do Brasil passarão a ser taxados em 50%. O documento excluiu 43% dos itens brasileiros exportados para os EUA. Estarão isentos, por exemplo, derivados de petróleo, ferro, produtos de aviação civil e suco de laranja.

Em resposta à medida de Trump, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, reforçou o fato de que a balança comercial com os EUA apresenta déficit nas últimas décadas. Disse, ainda, que se mantém disposto a negociar aspectos comerciais da relação com os EUA. Em gesto de apoio às empresas brasileiras, Lula enfatizou que a economia do país apresenta um alto nível de integração com os principais mercados internacionais, e afirmou prever ações concretas para minimizar impactos.

Lula deu entrevista ao New York Times para tratar da questão diplomática. Segundo ele, Donald Trump está ignorando as sinalizações do governo brasileiro para conversar com seriedade. O presidente brasileiro defendeu a soberania nacional e a liberdade de atuação do poder judiciário. A última entrevista de Lula ao jornal norte-americano havia sido 13 anos atrás.

Folha de S. Paulo: Trump oficializa tarifaço de 50% sobre exportações do Brasil; lista de isenções tem quase 700 produtos, que livram Embraer e suco
Folha de S. Paulo: Ninguém está desafiando Trump como o Lula, diz o jornal The New York Times

2. FMI eleva projeção para Brasil

Sem considerar possíveis efeitos das tarifas impostas por Donald Trump aos produtos brasileiros, o Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou a perspectiva de crescimento do país para 2,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. É um resultado de 0,1 ponto percentual de diferença positiva em relação à última projeção feita pelo relatório Perspectiva Econômica Global, realizada em abril. Para 2025, o crescimento é de 2,3%.

As projeções do FMI são mais pessimistas do que as do governo brasileiro. O Ministério da Fazenda estima crescimento de 2,4% para 2026, e de 2,5% para 2025. Esses cálculos também não consideram as consequências que o aumento das tarifas pode acarretar a economia do país. No cenário interno, a manutenção de uma taxa de juros alta por parte do Banco Central deixa a economia em estado de desaceleração gradual.

G1: FMI eleva projeção de crescimento do Brasil em 2026 para 2,1%

3. Brasil flexibiliza regulamentação das big techs

O vice-presidente Geraldo Alckmin, se reuniu com representantes de grandes empresas de tecnologia, como Google, Amazon, Apple e Visa, para discutir temas como segurança jurídica e inovação. Foi o segundo encontro com as big techs após o anúncio da sobretaxa de 50% nas importações brasileiras pelos EUA. As plataformas entregaram uma pauta de demandas que será debatida em um grupo de trabalho. O foco será o ambiente regulatório e o futuro da regulação digital.

Antes da oficialização do tarifaço por parte de Donald Trump, o posicionamento do governo Lula era de que a regulamentação das big techs era algo inegociável por se tratar de um tema interno, relativo à soberania nacional. Diante da irreversibilidade do aumento de tarifas, o governo brasileiro sinalizou às plataformas disposição em negociar. Na avaliação de integrantes do governo, esse foi um importante gesto do Palácio do Planalto para demonstrar que o Brasil está aberto ao diálogo.

G1: Brasil flexibiliza posição e aceita negociar regulamentação de big techs para evitar tarifaço; veja os pontos discutidos

4. Copom estabiliza juros a 15%

Em decisão unânime, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 15% ao ano. A decisão era esperada pelo mercado financeiro diante das últimas análises do colegiado, que apontavam para um ciclo longo de estabilização. O recuo da inflação e o início da desaceleração da economia reforçaram a decisão do BC.

Por outro lado, a política comercial dos Estados Unidos ainda traz incertezas em relação aos preços, segundo comunicado oficial do órgão. No momento, a proposta é manter os juros no patamar de 15%, mas se houver necessidade, pode haver novas elevações. A taxa está no maior nível desde julho de 2006, quando atingiu 15,25% ao ano. De setembro do ano passado a maio deste ano, a Selic foi elevada sete vezes.

Agência Brasil: Copom mantém juros básicos da economia em 15% ao ano

5. Desemprego atinge menor nível desde 2012

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,8% no trimestre encerrado em junho de 2025, atingindo o menor nível da série histórica iniciada em 2012. O resultado representa uma redução de 1,2 ponto percentual em relação ao trimestre encerrado em fevereiro e de 1,1 ponto frente ao mesmo período de 2024. A melhora reforça sinais de recuperação do mercado de trabalho. A expectativa do mercado era de uma taxa próxima a 6%.

Segundo dados da Pnad Contínua, divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira (31), o país registrou 6,3 milhões de pessoas desocupadas entre abril e junho. Isso representa queda de 17,4% no trimestre, com 1,3 milhão de pessoas a menos em busca de trabalho. Na comparação anual, a redução foi de 15,4%, ou 1,1 milhão de pessoas. O cenário aponta tendência positiva na geração de empregos formais.

Exame: Taxa de desemprego no Brasil cai para 5,8% e chega ao menor nível da história