Brasil
04 de Julho de 2025

1. Mercado reduz estimativa de inflação em 2025
Os economistas do mercado financeiro reduziram sua estimativa de inflação deste ano, ao mesmo tempo em que mantiveram a projeção para o crescimento da economia brasileira. A previsão do mercado para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – considerado a inflação oficial do país – passou de 5,24% para 5,20% este ano. Mesmo com o recuo, o IPCA continua bem acima do teto da meta, que é de 4,5%.
Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, a projeção do mercado continuou em 2,21%. Para 2026, a previsão de alta do PIB subiu de 1,85% para 1,87%. Com relação à taxa básica de juros (Selic), o mercado manteve a expectativa em 15% ao ano, atual patamar do juro básico. Essa projeção indica uma estabilização ou leve queda nos juros futuros, refletindo a confiança do mercado na desaceleração da inflação.
G1: Boletim Focus: mercado reduz estimativa de inflação em 2025 pela 5ª semana seguida, para 5,20%
Agência Brasil: Mercado financeiro reduz previsão da inflação para 5,2%
2. Produção industrial cai 0,5% em maio
A produção industrial contraiu 0,5% em maio na comparação com o mês anterior e avançou 3,3% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado está em linha com as expectativas do mercado, que já projetava uma retração após o crescimento observado nos meses anteriores.
Apesar da queda mensal, analistas consideram o resultado de maio como uma acomodação natural após os ganhos recentes. O setor industrial continua a ser um termômetro importante da economia e a expectativa é que os próximos meses revelem se essa retração pontual é um ajuste ou o início de uma tendência. A resiliência do setor, evidenciada pelo crescimento acumulado, ainda é um ponto a ser observado.
CNN Brasil: Produção industrial no Brasil cai 0,5% em maio, conforme esperado, diz IBGE
InfoMoney: Setores mais sensíveis recebem o golpe de juros altos e produção industrial tem queda
3. BID anuncia investimento de US$ 11 bilhões na América Latina
O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) vai investir US$ 11 bilhões em projetos de desenvolvimento sustentável na América Latina e Caribe. A iniciativa tem o objetivo de impulsionar a transição energética, a adaptação às mudanças climáticas e a promoção de uma economia mais verde na região. O montante representa um esforço significativo para apoiar os países latino-americanos em seus compromissos ambientais e sociais.
Para isso, o BID passa a contar com três novos programas de apoio ao desenvolvimento sustentável. Os Amazonia Bonds (Títulos da Amazônia) transformam preocupações dos investidores com transparência em investimento, com padrões claros sobre como os recursos são usados, monitorados e reportados. O FIRRe transforma a exposição a desastres em proteção financeira, ampliando a cobertura para governos e empresas quando ocorrem choques. E o FX Edge oferece um conjunto de ferramentas para transformar uma das barreiras mais antigas e urgentes ao investimento, a volatilidade cambial, em resiliência e liberação de capital.
Os recursos serão direcionados para uma variedade de projetos, incluindo energias renováveis, infraestrutura resiliente, agricultura sustentável e gestão de recursos hídricos. A expectativa é que esses investimentos contribuam para a criação de empregos, a melhoria da qualidade de vida e a construção de um futuro mais sustentável para os países envolvidos.
O Globo: BID prevê US$ 11 bi em investimentos a projetos para desenvolvimento sustentável na América Latina
4. Juros altos do Plano Safra podem inviabilizar investimentos
O Plano Safra 25/26 veio dentro do esperado, com juros mais altos que nos anos anteriores. Os juros de 8,5% ao ano podem fazer com que a conta não feche para diversos produtores rurais. Neste cenário, a expectativa é que os produtores foquem mais no custeio, em detrimento dos investimentos, exceto melhorias realmente necessárias para as lavouras, na tentativa de limitar a tomada de crédito com custo alto.
Segundo análise da assessoria técnica da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), com juros nesse patamar, a rentabilidade de diversas culturas e atividades pecuárias pode ser comprometida, tornando o investimento menos atrativo ou até mesmo inviável. A alta nos juros pode frear o desenvolvimento tecnológico e a adoção de práticas mais sustentáveis, que exigem investimentos iniciais. A expectativa é que o governo reavalie as condições de crédito para o setor, buscando um equilíbrio que incentive a produção e garanta a segurança alimentar do país.
Globo Rural: Juros de 8,5% do Plano Safra podem inviabilizar investimento de produtores, dizem consultorias
5. Crise do IOF: Supremo avalia conciliação
O Supremo Tribunal Federal (STF) está avaliando uma possível conciliação para resolver a delicada crise gerada pela decisão que invalidou a cobrança do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) em operações de crédito realizadas entre 2014 e 2017. A decisão, que poderia gerar um impacto bilionário nas contas públicas, com estimativas de perdas que variam de R$ 80 bilhões a R$ 200 bilhões, colocou o governo em alerta. O ministro Luiz Fux, relator do caso, sinalizou a busca por um acordo que evite um rombo fiscal e, ao mesmo tempo, respeite a segurança jurídica.
A complexidade da situação reside no fato de que a decisão do STF se baseou na ausência de lei complementar para regulamentar a cobrança do imposto, o que a tornaria inconstitucional no período. No entanto, o impacto financeiro de uma eventual devolução dos valores já arrecadados é imenso. A conciliação proposta pelo STF visa encontrar um meio-termo, possivelmente modulando os efeitos da decisão para o futuro ou estabelecendo um prazo para que o Congresso Nacional edite a lei complementar necessária, minimizando assim prejuízos aos cofres públicos.
Folha de São Paulo: STF vê situação delicada e avalia conciliação para crise do IOF