Brasil

06 de março de 2026

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1. Guerra no Oriente Médio abre espaço para Brasil ampliar exportações de petróleo

A guerra no Oriente Médio tem pressionado a oferta global de petróleo e aberto espaço para que outros produtores aumentem suas exportações. Nesse cenário, o Brasil estaria entre os países em melhor posição para vender mais ao exterior e substituir parte do produto vindo da região, segundo Roberto Ardenghy, presidente do IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis.

Para ele, esse potencial depende de ampliar a exploração de reservas. O país teria petróleo para apenas mais 13 anos, prazo considerado curto no setor. A alternativa passa por novas fronteiras exploratórias, como a Bacia de Pelotas, no Rio Grande do Sul, e, sobretudo, as bacias da Margem Equatorial, no Norte e Nordeste.

O executivo avalia que a redução de oferta no Oriente Médio serve de alerta para a segurança energética global e pode acelerar iniciativas no Brasil. Ele defende licenciamento mais ágil, mantendo regras ambientais, para viabilizar produção por décadas.

CNN Brasil: Brasil deve produzir e exportar mais petróleo por guerra no Oriente Médio

2. PIB cresce 2,3% em 2025 e desacelera sob juros altos

A economia brasileira desacelerou em 2025 e fechou o ano com alta de 2,3%, segundo dados do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi o quinto ano consecutivo de expansão, mas a menor taxa em cinco anos, após quatro anos com crescimento de 3% ou mais (em 2024, 3,4%). O resultado ocorre em um ambiente de juros elevados para conter a inflação: o Banco Central iniciou em setembro de 2024 um ciclo de alta da taxa básica de juros, a Selic, que chegou a 15% ao ano em junho de 2025 e permanece nesse nível, encarecendo o crédito e reduzindo consumo e investimentos.

A trajetória de 2025 mostrou crescimento concentrado no início do ano, impulsionado por safra recorde de grãos e pela agropecuária, que avançou 11,7% e foi a principal contribuição para o PIB, ao lado da indústria extrativa, que cresceu 8,6% com aumento da extração de petróleo e gás. O consumo das famílias subiu 1,3% (bem abaixo de 2024, quando foi 5,1%) e os investimentos cresceram 2,9%, também desacelerando. Para 2026, o cenário traz incertezas, inclusive pelos possíveis efeitos da guerra no Irã sobre inflação e juros. Ainda assim, há expectativa de crescimento, com previsões de 1,82% na mediana do mercado (boletim Focus) e de 2,3% pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda.

Folha de S. Paulo: PIB desacelera e fecha 2025 com alta de 2,3%, menor taxa em 5 anos
Estadão: Economia brasileira desacelera e cresce 2,3% em 2025

3. Mercado reduz projeção da Selic a 12% em 2026

Analistas de mercado consultados pelo Banco Central reduziram as projeções para a taxa básica de juros (Selic) e para o câmbio em 2026, de acordo com o Boletim Focus divulgado nesta semana. A estimativa da Selic caiu de 12,13% para 12,00%, enquanto a cotação do dólar recuou de R$ 5,45 para R$ 5,42. Já a previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 foi mantida em 1,82%.

Na inflação, a projeção do Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2026 permaneceu em 3,91%, com leve ajuste para 2027, de 3,80% para 3,79%. Em 2028 e 2029, a expectativa ficou em 3,50%. Para o crescimento, o Boletim Focus manteve o PIB de 2027 em 1,80% e as estimativas de 2028 e 2029 em 2,00%. No cenário de juros, a projeção seguiu em 10,50% para 2027, 10,00% para 2028 e 9,50% para 2029. No câmbio, ficou em R$ 5,50 para 2027 e 2028, e caiu de R$ 5,52 para R$ 5,50 em 2029.

Exame: Focus: mercado reduz projeção da Selic a 12% e do dólar a R$ 5,42 em 2026

4. Micro, pequenas e médias empresas terão acesso ao crédito para exportação

A Câmara dos Deputados aprovou um projeto que busca facilitar o acesso de micro, pequenas e médias empresas ao crédito para exportação. O projeto cria o Sistema Brasileiro de Apoio Oficial ao Crédito à Exportação, com a proposta de integrar o Programa de Financiamento às Exportações (Proex) às iniciativas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Entre as mudanças, retira o prazo mínimo antes exigido para a aplicação do Fundo Garantidor de Operações de Comércio Exterior (FGCE) em caso de risco comercial (antes restrito a operações com prazo total superior a dois anos) e amplia, na fase de pré-embarque, o prazo das operações para micro, pequenas e médias empresas de 180 para 750 dias.

O projeto também permite que financiadores e seguradores privados sejam habilitados como operadores em modalidades indiretas, prevê a criação de um portal na internet para solicitação de apoio oficial, sem impactar direta ou indiretamente na receita ou despesa da União. Como o texto já havia sido aprovado no Senado, o projeto segue para sanção presidencial. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços classifica a medida como prioridade para ampliar mecanismos de crédito aos exportadores brasileiros, sobretudo os menores.

Estadão: Câmara aprova projeto que facilita acesso de pequenas e médias empresas a crédito de exportação

5. Brasil abre 112,3 mil vagas formais em janeiro e supera previsões do mercado

O mercado de trabalho formal começou 2026 com resultado acima do esperado: o país abriu 112.334 vagas com carteira assinada em janeiro, saldo de 2.208.030 admissões e 2.095.696 desligamentos. O número superou as projeções de economistas, que estimavam a criação de 92 mil a 95 mil postos. Apesar do desempenho positivo, especialistas apontam que o cenário macroeconômico sugere moderação gradual no ritmo de contratações ao longo do ano, após um dezembro mais fraco do que o previsto e um movimento de recomposição no início do ano.

Indústria e construção civil lideram a abertura de vagas em janeiro, com 54.991 e 50.545 novos postos, respectivamente, seguidas por serviços (40.525) e agropecuária (23.037). O comércio foi o único segmento com saldo negativo, com fechamento de 56.800 vagas. Os dados também mostram um crescimento salarial modesto e, em termos reais, queda de 0,1% no salário médio de admissão em janeiro. O estoque de vínculos celetistas soma 48,6 milhões, com projeção de cerca de 900 mil empregos formais criados em 2026, com desemprego encerrando o ano em 5,6%.

InfoMoney: Criação de emprego supera projeção no início do ano após quebra em dezembro