Brasil
10 de abril de 2026

1. Pacote do governo busca aliviar impacto da guerra nos combustíveis e na inflação
O governo brasileiro anunciou um pacote para conter a alta do diesel e de outros combustíveis, diante do impacto da guerra e do risco de pressão inflacionária em ano eleitoral. As medidas incluem aumento da subvenção ao diesel, com apoio à produção nacional e à importação, isenção de PIS/Cofins sobre biodiesel e querosene de aviação (QAV), e um subsídio para a importação de gás de cozinha. O objetivo é reduzir o custo para consumidores e setores produtivos, com forte impacto fiscal.
No campo da fiscalização, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) terá atuação reforçada, com punições mais rígidas contra aumentos abusivos e recusa de fornecimento em cenários de crise. Segundo o Planalto, o pacote pretende proteger a população, sustentar o abastecimento e reduzir os efeitos internos do choque de preços causado pela instabilidade geopolítica.
G1: O pacote do governo Lula contra alta do diesel e outros combustíveis em 5 pontos
Agência Brasil: Proposta de subsídio ao diesel importado tem adesão de 25 estados
2. Superávit da balança comercial fica abaixo do esperado em março
A balança comercial brasileira registrou em março um superávit de US$ 6,405 bilhões, resultado abaixo da expectativa do mercado, que previa US$ 7,350 bilhões. No mês, as exportações somaram US$ 31,603 bilhões e as importações, US$ 25,199 bilhões. O desempenho foi impulsionado pela alta nas vendas externas de todos os setores, com destaque para a indústria extrativa, que avançou 36,4% graças ao petróleo, além da indústria de transformação e da agropecuária.
Com esse cenário, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços revisou suas projeções e passou a estimar superávit de US$ 72,1 bilhões em 2026, próximo ao piso da faixa anterior. A previsão é de US$ 364,2 bilhões em exportações e US$ 292,1 bilhões em importações. O aumento das compras externas reflete a atividade econômica resiliente e os preços internacionais. No primeiro trimestre, o país acumulou um superávit comercial de US$ 14,175 bilhões, acima do saldo positivo de US$ 9,606 bilhões dos três primeiros meses de 2025.
Folha de S.Paulo: Superávit comercial do Brasil decepciona e fica abaixo da meta
3. Estudo inédito aponta que fim da escala 6×1 pode aumentar custos e reduzir competitividade
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com o fim da escala 6×1, pode provocar queda de 0,7% no PIB brasileiro, o equivalente a R$ 76,9 bilhões. Segundo o estudo inédito, a indústria seria o setor mais afetado, com perda relativa de 1,2%, seguida por serviços, comércio, agropecuária e construção. A entidade afirma que, sem aumento equivalente de produtividade, o custo do trabalho tende a subir e a competitividade do país, a cair.
A CNI também alerta para efeitos sobre preços, consumo e empregos, já que o encarecimento da produção poderia pressionar toda a cadeia econômica. Em outra projeção, a confederação aponta possível alta média de 6,2% na inflação caso a mudança avance. O debate sobre a jornada ganha força no Congresso com apoio do governo Lula e do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, mas a CNI defende uma análise técnica mais ampla antes de qualquer decisão, argumentando que o Brasil ainda tem baixa produtividade e escassez de mão de obra.
Exame: 6×1: redução da jornada para 40 horas pode cortar R$ 76,9 bi do PIB, diz CNI
4. Governo estuda liberar FGTS para pagamento de dívidas
O governo brasileiro avalia liberar parte do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para ajudar famílias a pagarem dívidas, confirmou o ministro da Fazenda, Dario Durigan. A proposta, em estudo com o Ministério do Trabalho, busca aliviar o orçamento doméstico sem comprometer a segurança do fundo. Entre as preocupações estão o risco de o trabalhador ficar sem reserva em caso de demissão e a necessidade de reduzir o endividamento. A medida integra um pacote mais amplo para enfrentar a alta inadimplência no país.
Além do uso do FGTS, o governo também analisa regulamentar sua utilização como garantia no crédito consignado privado e empregar recursos esquecidos em bancos para fortalecer o Fundo Garantidor de Operações. O foco principal é atender famílias de baixa renda endividadas e consumidores que já pagam em dia, mas comprometem boa parte da renda com parcelas. A ideia é permitir renegociação com desconto, novo parcelamento e migração para juros menores, em um modelo semelhante ao do programa Desenrola.
O Globo: Governo pode liberar FGTS para pagamento de dívidas, confirma ministro da Fazenda
Agência Brasil: Governo avalia uso do FGTS para quitar dívidas, diz Durigan
5. Primeiro lote da restituição do IR deve injetar R$ 16 bilhões na economia
A Receita Federal deve pagar cerca de R$ 16 bilhões no primeiro lote de restituição do Imposto de Renda de 2026, em 29 de maio, contemplando cerca de 9 milhões de contribuintes. O valor, o maior já previsto para um lote inicial, tende a funcionar como uma injeção relevante de recursos na economia, reforçando o consumo das famílias e ajudando a movimentar comércio e serviços em um momento de maior necessidade de liquidez.
Neste ano, o calendário foi alterado e o Fisco vai concentrar os pagamentos em quatro lotes, entre maio e agosto, com prioridade para quem entregar a declaração mais cedo, usar a versão pré-preenchida e optar por receber por Pix com CPF. A medida antecipa parte importante da devolução de tributos pagos a mais e deve acelerar a chegada de dinheiro ao mercado. Os contribuintes que não entrarem no primeiro lote permanecem na fila para as próximas liberações.
Folha de S.Paulo: Receita deve pagar R$ 16 bilhões no primeiro lote de restituição do IR 2026, o maior da história