Brasil
14 de agosto de 2026

1. Preço dos alimentos puxa inflação para baixo, mas ata do Copom descarta cortes na Selic a curto prazo
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho registrou alta leve de 0,07%, impulsionado por uma expressiva deflação de 0,67% no grupo de alimentação e bebidas — a queda mais intensa para o segmento desde julho de 2024. O alívio no bolso dos consumidores foi favorecido por condições climáticas positivas, que aumentaram a oferta de produtos in natura, ajudando a compensar a alta em outros setores, como o de habitação, pressionado pelas bandeiras tarifárias de energia elétrica.
Apesar do respiro nos preços de curto prazo, o cenário macroeconômico de longo prazo ainda exige cautela. O Banco Central divulgou a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) indicando que a taxa Selic deverá permanecer em patamar restritivo por mais tempo. A instituição expressou preocupação com as expectativas de inflação desancoradas, a resiliência do setor de serviços, o mercado de trabalho aquecido e as incertezas fiscais, sinalizando que a política monetária seguirá rígida para garantir a convergência da inflação à meta.
Valor Econômico: Deflação de 0,67% em alimentação e bebidas no IPCA é a mais intensa desde julho de 2024
Exame: Em ata, BC indica manutenção de juros altos por mais tempo
2. Congresso aprova flexibilização de gastos para 2026 e prevê novos gatilhos fiscais em 2027
O Congresso Nacional aprovou um projeto de lei complementar que autoriza o governo a ampliar gastos fora dos limites do arcabouço fiscal e da meta de resultado primário ainda em 2026, ano eleitoral. Entre as medidas estão a antecipação de R$ 3 bilhões do Fundo Social do Pré-sal, repasses bilionários extras para o Ministério da Defesa, além de subvenções e benefícios tributários para o setor de etanol. A manobra, que atende a fortes demandas políticas, pode elevar a estimativa de déficit público no ano para R$ 57,5 bilhões.
Em contrapartida para acalmar o mercado financeiro, a equipe econômica incluiu no mesmo texto novos gatilhos fiscais que só terão efeito a partir de 2027. Os mecanismos preveem limitar o crescimento de certas despesas obrigatórias caso haja déficit, além de retirar receitas extraordinárias com a venda de petróleo do cálculo da Receita Corrente Líquida, evitando o aumento automático de pisos orçamentários. O Ministério da Fazenda estima que esses novos instrumentos de contenção poderão poupar cerca de R$ 10 bilhões no orçamento futuro.
Folha de S.Paulo: Governo aproveita texto que amplia gastos em 2026 para sinalizar ajuste nas contas em 2027
3. Cenário de incerteza local motiva rebaixamento do Brasil pelo JPMorgan
O banco norte-americano JPMorgan revisou sua recomendação para investimentos em ações brasileiras, reduzindo a classificação de “compra” para “neutra” em seu portfólio estratégico da América Latina. A mudança de perspectiva foi impulsionada pela avaliação de que o ciclo de cortes na taxa Selic está próximo do fim, além de projeções que indicam uma desaceleração no crescimento econômico e piora no mercado de crédito local, fatores que criam um ambiente mais desafiador para os resultados das empresas.
Outro ponto crucial para a revisão é a volatilidade trazida pela proximidade das eleições em outubro de 2026. A instituição financeira destacou que o cenário político exigirá do próximo governo lidar com juros reais altos e déficit fiscal recorrente, o que afasta o apetite ao risco dos investidores internacionais. Após o anúncio da instituição, os ativos brasileiros sofreram impactos imediatos, com fuga de capital estrangeiro resultando em expressiva queda do Ibovespa e alta do dólar frente ao real.
CNN Brasil: JPMorgan rebaixa recomendação de investimentos no Brasil para neutro
4. Decreto que amplia o mercado livre de energia para residências e pequenos negócios é assinado
O Governo Federal assinou o decreto que regulamenta a abertura do mercado livre de energia para consumidores de baixa tensão, democratizando o poder de escolha que, até então, era restrito a grandes indústrias. Com a mudança, residências, pequenos comércios e propriedades rurais poderão escolher seus próprios fornecedores de energia elétrica, em vez de dependerem exclusivamente das distribuidoras locais. Segundo o Ministério de Minas e Energia, o aumento da concorrência deve resultar em uma redução de cerca de 20% a 22% nos custos da tarifa de consumo para os clientes.
A transição para o Ambiente de Contratação Livre ocorrerá de forma escalonada, começando em novembro de 2027 para negócios rurais e indústrias de baixo consumo, e avançando para consumidores residenciais em novembro de 2028. Para garantir a segurança do sistema, o decreto estabelece que as atuais distribuidoras atuarão como “supridoras de última instância” até 2030, assegurando o fornecimento caso a empresa contratada pelo cliente venha a falhar. Caberá à Aneel definir as regras finais de transição e os parâmetros de proteção ao consumidor.
Estadão: Lula assina decreto do mercado livre de energia para consumidores residenciais e pequenas indústrias
O Globo: Lula regulamenta mercado livre de energia para consumidores residenciais; saiba o que muda
5. Nvidia e Wall Street negociam acordo de US$ 500 bi para expansão da Inteligência Artificial
A Nvidia, principal desenvolvedora de chips do mundo, firmou memorandos de entendimento com gigantes de Wall Street — como Apollo, Blackstone, BlackRock, KKR e Goldman Sachs — para mobilizar mais de US$ 500 bilhões em capital de terceiros. A iniciativa inédita tem o objetivo de criar plataformas de crédito voltadas exclusivamente para o financiamento do ecossistema global de Inteligência Artificial, apoiando a construção massiva de data centers, o fornecimento de energia e a aquisição de equipamentos de alto desempenho.
A estratégia visa conectar os clientes de tecnologia a linhas de financiamento de longo prazo, garantindo a expansão contínua da capacidade computacional sem comprometer o balanço ou forçar a redução de preços por parte da Nvidia. A movimentação marca a consolidação da Inteligência Artificial como uma nova e essencial classe de infraestrutura produtiva global, embora a magnitude e o alto volume de endividamento projetado no pacote tenham inicialmente despertado reação de cautela entre investidores no mercado financeiro.
Folha de S.Paulo: Nvidia e gigantes de Wall Street negociam pacote de US$ 500 bi para expandir infraestrutura de IA