Brasil

19 de Setembro de 2025

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1. Selic alta pressiona economia e IBC-Br sinaliza perda de fôlego

O Banco Central manteve a Selic em 15% ao ano, reforçando a postura contracionista diante de expectativas de inflação ainda elevadas e atividade econômica resiliente. A decisão mostra cautela diante do cenário internacional incerto, especialmente com os juros nos EUA e as tensões comerciais. Com essa decisão, o Brasil segue com a segunda maior taxa real de juros do mundo, atrás apenas da Turquia.

Enquanto isso, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) registrou queda de 0,5% em julho, terceira retração consecutiva. O recuo foi generalizado, afetando agropecuária, indústria e serviços. Ainda assim, o índice acumula alta de 2,9% no ano e 3,5% em 12 meses, mostrando crescimento no agregado, apesar da desaceleração recente.

Apesar da queda mensal, as projeções apontam crescimento moderado para o PIB em 2025, em torno de 2,2%. O boletim Focus projeta 2,16% para o ano e leve desaceleração para 2026. Assim, os dados indicam uma economia em transição, ainda com expansão no horizonte mais longo, mas enfrentando os efeitos imediatos da taxa de juros em patamar historicamente elevado.

Estadão: Copom mantém Selic em 15% ao ano pela 2ª vez seguida e ainda não dá sinal de corte de juros
Valor Econômico: Índice de Atividade Econômica do BC cai 0,53% em julho

2. Portos batem recorde histórico de movimentação em julho

Os portos brasileiros registraram em julho o maior volume de cargas já movimentado em um único mês: 124,7 milhões de toneladas. Do total, 73% vieram da navegação de longa distância, enquanto 20% foram de cabotagem. Nos primeiros sete meses de 2025, a movimentação acumulada chegou a 780,4 milhões de toneladas, um crescimento de 1,76% em relação ao mesmo período de 2024. A principal carga foi de granéis sólidos, que somaram 76,6 milhões de toneladas.

O governo federal destacou que o aumento reflete a política de expansão das concessões e investimentos em infraestrutura portuária. Segundo o ministro Silvio Costa Filho, a ampliação da capacidade dos portos fortalece as exportações e garante mais competitividade para o Brasil. Todos os tipos de carga tiveram crescimento em julho: granéis líquidos avançaram 6%, granéis sólidos 4%, contêineres 3% e carga geral quase 1% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Agência Brasil: Portos movimentam em julho o maior volume de cargas da história

3. Setor de serviços em alta pelo sexto mês seguido

O setor de serviços avançou 0,3% em julho, na sexta alta consecutiva, e renovou o maior patamar da série histórica. Entre fevereiro e julho, o segmento acumula crescimento de 2,4%, a maior sequência desde 2022. Em relação a julho de 2024, a alta foi de 2,8%, e no acumulado de 12 meses, 2,9%. O desempenho foi puxado por informação e comunicação (1%), serviços profissionais e administrativos (0,4%) e serviços às famílias (0,3%). Já transportes e outros serviços recuaram.

Segundo o IBGE, a expansão foi observada em 12 das 27 unidades da federação, com destaque para São Paulo, Paraná e Rondônia. O setor, maior empregador do país, tem se beneficiado da digitalização acelerada desde a pandemia, com maior demanda por tecnologia da informação e plataformas online. Essa transformação, somada ao avanço do delivery e a menor sensibilidade a fatores macroeconômicos, explica a resiliência frente à queda recente da indústria e do comércio.

Agência Brasil: Setor de serviços cresce 0,3% em julho, mostra IBGE

4. Desemprego atinge menor nível em 13 anos

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,6% no trimestre encerrado em julho, menor nível desde 2012, segundo dados da PNAD Contínua do IBGE. O número de desocupados ficou em 6,1 milhões de pessoas, o menor da série histórica, enquanto a população ocupada chegou a 102,4 milhões, novo recorde. Entre eles, 39,1 milhões têm carteira assinada, também o maior volume já registrado.

O IBGE destacou que a redução do desemprego reflete um mercado de trabalho mais ativo, com queda da subutilização da mão de obra e do desalento, que recuou para 2,7 milhões de pessoas. Isso indica que quem sai da condição de desempregado não está deixando a força de trabalho, mas efetivamente conseguindo emprego, o que reforça o bom momento da ocupação no país.

CNN Brasil: Desemprego cai para 5,6% no trimestre até julho, menor taxa desde 2012

5. Mercosul fecha acordo histórico com EFTA

Após oito anos de negociações, Mercosul e EFTA (Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein) assinaram um tratado de livre comércio que elimina tarifas de até 97% do comércio entre os blocos. O acordo inclui setores estratégicos como carnes, grãos, químicos, farmacêuticos e máquinas, além de estabelecer quotas para produtos como milho, carne bovina e vinhos. A medida deve baratear alimentos e ampliar o acesso das indústrias à Europa, consolidando um mercado de US$ 4,39 trilhões e 290 milhões de consumidores.

O diferencial do tratado é o compromisso ambiental: prestadores de serviços digitais só terão acesso se o país de origem usar pelo menos 67% de energia limpa. O chanceler Mauro Vieira destacou a inovação do ponto de vista da sustentabilidade, enquanto líderes europeus reforçaram a mensagem de cooperação em meio às incertezas globais. Para o Brasil, além de abrir novos mercados, o acordo pode acelerar a conclusão do tratado Mercosul-União Europeia, ampliando ainda mais a integração comercial.

Folha de S.Paulo: Mercosul e Efta assinam acordo comercial e incluem compromisso com energia limpa