Brasil
21 de agosto de 2026

1. Empresas preveem desaceleração e riscos para 2027
Grandes empresas e bancos listados no Ibovespa demonstram cautela em relação ao cenário macroeconômico para o próximo ano, projetando um ritmo de crescimento menor e até mesmo riscos de recessão para 2027. O pessimismo corporativo é impulsionado pelo patamar elevado da taxa básica de juros, pela inflação persistente e pelo avanço da inadimplência entre os consumidores.
Refletindo esse ambiente de restrição financeira, setores como o varejo já adotam cortes drásticos em investimentos e planos de expansão, enquanto concessionárias de serviços públicos registram impactos negativos na arrecadação devido ao atraso no pagamento de faturas essenciais. Analistas apontam que a rigidez na política monetária continuará pressionando o fluxo de caixa das companhias e limitando a recuperação econômica a curto prazo.
Folha de S.Paulo: Empresas preveem crescimento menor e até recessão para 2027, com juro alto e inadimplência
2. Ritmo em baixa: IBC-Br cresce 0,2% no segundo trimestre
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado a prévia do PIB brasileiro, registrou um crescimento de 0,2% no segundo trimestre de 2026, com ajuste sazonal, na comparação com os três meses anteriores. O resultado divulgado nesta segunda-feira (17) aponta uma forte desaceleração em relação à alta de 1,3% observada no primeiro trimestre do ano.
Por setores, o IBC-Br do período registrou altas discretas na agropecuária (0,3%) e na indústria (0,5%), enquanto o setor de serviços apresentou retração de 0,1%. Na leitura mensal, o índice de junho recuou 0,6% ante maio. Analistas avaliam que a perda de fôlego reflete os impactos defasados da política monetária restritiva, mantida com juros em patamares elevados para controlar a inflação.
CNN: “Prévia do PIB”: Economia registra forte desaceleração no 2º trimestre
3. Retirada estrangeira atinge marca histórica em agosto
O mercado financeiro brasileiro registrou a maior saída de capital estrangeiro desde o choque econômico de 2020. Somente neste mês de agosto, investidores internacionais retiraram cerca de R$ 18 bilhões do país, evidenciando um forte movimento de aversão ao risco.
A expressiva debandada de recursos reflete a combinação de um cenário externo cauteloso e incertezas domésticas. A atratividade dos títulos de renda fixa em economias avançadas, impulsionada por juros ainda elevados no exterior, tem sugado a liquidez de mercados emergentes como o Brasil.
Internamente, as preocupações com a trajetória fiscal e a instabilidade econômica contribuem para afastar o capital externo. Esse fluxo financeiro negativo pressiona diretamente a cotação do dólar frente ao real e acende um alerta sobre as dificuldades da bolsa de valores brasileira em reter e atrair grandes volumes de investimentos a curto prazo.
O Globo: Saída de estrangeiro da Bolsa já chega a R$ 18 bi em agosto
4. Alívio nos preços: 2ª prévia do IGP-M aponta deflação de 0,36% em agosto
A segunda prévia do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) registrou queda de 0,36% em agosto, sinalizando a continuidade da deflação no país, embora em ritmo menor que o recuo de 1,11% verificado em julho. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (19) pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
O resultado foi puxado principalmente pela retração do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-M), que caiu 0,50% no período, e do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que reverteu a alta do mês anterior e registrou deflação de 0,49%.
Na contramão, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) acelerou para 0,73%, refletindo maiores reajustes no setor. Segundo economistas da FGV, a manutenção da queda consistente nos preços do atacado e na ponta do consumidor final reforça a perspectiva de que o indicador cheio do IGP-M encerre o mês de agosto no campo negativo.
Valor Econômico: Prévia do IGP-M sinaliza deflação em indicador fechado de agosto
5. Reforma antecipa prazo do Simples Nacional
Como parte da adaptação gradual à Reforma Tributária, o calendário para que micro e pequenas empresas solicitem a adesão ao Simples Nacional vai mudar a partir de 2027. O pedido, tradicionalmente concentrado em janeiro, será antecipado para o mês de setembro do ano anterior.
A mudança não altera o funcionamento ou a existência do regime simplificado, apenas adequa o seu calendário à nova estrutura de impostos que será implementada no país. O objetivo da Receita é permitir que o modelo de tributação das empresas já esteja definido antes mesmo do início do período de apuração do novo ano.
Na prática, empresários que desejam ingressar no Simples Nacional precisarão redobrar a atenção e o planejamento. Será fundamental organizar a documentação com antecedência e regularizar eventuais pendências tributárias meses antes, garantindo que o pedido seja formalizado e aprovado dentro da nova janela de setembro.