Brasil
22 de maio de 2026

1. Governo amplia regras para plataformas digitais
O governo federal publicou novos decretos que ampliam a responsabilização das plataformas digitais em casos de golpes, fraudes e conteúdos ligados à violência online. As medidas atualizam regras relacionadas ao Marco Civil da Internet e estabelecem mecanismos mais rígidos para atuação das empresas de tecnologia, incluindo a possibilidade de responsabilização mesmo sem decisão judicial prévia em determinadas situações. A mudança acompanha o entendimento recente do STF sobre o tema e reforça a exigência de atuação preventiva das plataformas diante de conteúdos considerados criminosos.
Os decretos também criam obrigações específicas para casos de violência digital contra mulheres, com diretrizes voltadas à remoção mais rápida de conteúdos ofensivos, ampliação de canais de denúncia e adoção de medidas de proteção em situações de ameaça, perseguição e exposição online. As novas regras ampliam o debate sobre os limites da regulação das big techs no Brasil, em meio a discussões sobre segurança digital, combate a crimes virtuais e possíveis impactos sobre liberdade de expressão.
InfoMoney: Lula endurece regras para big techs e amplia responsabilização por conteúdo
2. Fim da escala 6×1 amplia debate sobre impacto no mercado de trabalho
A proposta de redução da jornada semanal de 44 para 40 horas voltou ao centro das discussões trabalhistas e econômicas, com estudos apontando possíveis efeitos sobre a oferta de mão de obra no país. Segundo levantamento citado no debate, a mudança exigiria a reposição equivalente a 5,1 milhões de trabalhadores, em um cenário de desemprego próximo das mínimas históricas. O impacto seria mais intenso em regiões economicamente mais dinâmicas, como Sul, Sudeste e Centro-Oeste, onde parte do mercado já enfrenta dificuldade para contratar profissionais.
Além da pressão sobre contratações, o estudo aponta possível aumento no custo da hora trabalhada, especialmente em setores intensivos em mão de obra, como comércio, alimentação e transporte. Por outro lado, defensores da proposta argumentam que jornadas menores podem elevar produtividade, reduzir rotatividade e atrair trabalhadores que hoje estão fora do mercado formal. Com o avanço da discussão no Congresso, o foco das negociações deve se concentrar em regras de transição, adaptação das empresas e possíveis efeitos econômicos da mudança.
O Globo: Fim da escala 6×1 pode ampliar escassez de mão de obra em regiões mais produtivas do país, diz estudo
Estadão: Sem acordo sobre transição relatório de PEC do fim da escala 6×1 é adiado para próxima segunda
3. Projeção de inflação é elevada para o limite da meta em 2026
O governo revisou para cima a projeção de inflação para 2026, elevando a estimativa do IPCA de 3,7% para 4,5%, exatamente no teto da meta estabelecida para o período. A atualização foi divulgada no Boletim Macrofiscal da Secretaria de Políticas Econômicas e reflete principalmente os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços do petróleo, além de impactos do câmbio, dos juros e da inflação recente acima do esperado. Desde o início do conflito no Irã, os combustíveis acumulam alta relevante no Brasil, ampliando a pressão sobre diferentes setores da economia.
Apesar da revisão inflacionária, o Ministério da Fazenda manteve a expectativa de crescimento de 2,3% para o PIB em 2026, sustentada principalmente pelos setores de indústria e serviços. Para 2027, a previsão de inflação também subiu, passando de 3% para 3,5%, enquanto a projeção de crescimento econômico foi mantida em 2,7%. O cenário segue influenciado pelas expectativas em torno da trajetória dos juros e pelos desdobramentos do mercado internacional de energia.
Exame: Governo altera projeção de alta do IPCA em 2026 de 3,7% para 4,5%
4. Mercado eleva projeções para inflação e juros em 2026
As expectativas do mercado financeiro para a inflação e a taxa básica de juros voltaram a subir, segundo o relatório Focus divulgado pelo Banco Central. A projeção para o IPCA em 2026 avançou pela décima semana consecutiva e passou para 4,92%, mantendo o cenário inflacionário sob pressão. Entre os fatores acompanhados pelos analistas estão a alta do petróleo provocada pelas tensões no Oriente Médio e seus possíveis impactos sobre combustíveis, energia e demais preços da economia.
A previsão para a Selic ao fim de 2026 também foi revisada para cima, passando de 13% para 13,25% ao ano. Já as estimativas para crescimento do PIB e câmbio permaneceram estáveis, com expansão econômica projetada em 1,85% e dólar a R$ 5,20 no encerramento do período. O movimento reforça a percepção do mercado de que os juros devem permanecer elevados por mais tempo diante do cenário inflacionário mais desafiador.
CNN Brasil: Focus: Mercado eleva projeção e passa a ver Selic a 13,25% em 2026
5. Prévia do PIB aponta aceleração da economia no início de 2026
A atividade econômica brasileira ganhou força no primeiro trimestre de 2026, segundo o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do PIB. O indicador registrou crescimento de 1,3% entre janeiro e março na comparação com o trimestre anterior, acelerando em relação ao avanço de 0,37% observado no fim de 2025. O resultado foi puxado principalmente pela indústria, que cresceu 1,3%, enquanto agropecuária e serviços avançaram 1%.
O desempenho reforça um cenário de economia ainda aquecida, mesmo em meio ao ambiente de juros elevados. O crescimento ocorre em um contexto de estímulos ao consumo, como ampliação de crédito, liberação de recursos do FGTS e redução de impostos. Apesar disso, mercado financeiro e Banco Central seguem projetando desaceleração para o restante do ano, diante da estratégia de conter a inflação e reduzir pressões sobre os preços. O dado oficial do PIB do primeiro trimestre será divulgado pelo IBGE no fim de maio.manece em alerta devido à volatilidade do barril de petróleo Brent, que segue cotado acima de US$ 100 no cenário global.