Brasil

29 de Agosto de 2025

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1. Brasil amplia pacote contra tarifaço e inclui fornecedores indiretos

O governo anunciou que a segunda fase do plano Brasil Soberano vai estender linhas de crédito, garantias e seguros não apenas às empresas diretamente afetadas pela tarifa de 50% imposta por Donald Trump, mas também aos seus fornecedores. A medida provisória que instituiu o programa prevê mudanças no acesso ao Fundo de Garantia à Exportação (FGE), que antes atendia apenas grandes companhias e agora será aberto a micro e pequenas empresas. Além disso, fundos como o FGCE, FGO e FGI receberão aportes para ampliar a cobertura contra inadimplência e riscos de exportação.

Segundo o secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, o pacote representa uma revolução para o setor exportador brasileiro, ao dar competitividade a negócios que antes enfrentavam barreiras tributárias e de crédito. O avanço das medidas depende da aprovação do PLP 168/2025, que ainda aguarda relator no Congresso. Mello também avaliou que, apesar do impacto inicial do tarifaço, há espaço para o PIB encerrar 2025 com crescimento em torno de 2,5%, sustentado pelo efeito positivo das medidas de apoio à economia.

Valor Econômico: Pacote contra tarifaço de Trump vai incluir empresas com impacto indireto
Correio Braziliense: Lula faz segunda reunião ministerial do ano em meio ao tarifaço de Trump

2. Governo lança crédito para modernizar indústria com tecnologias 4.0

O governo federal anunciou uma nova linha de crédito de R$ 12 bilhões destinada a financiar a aquisição de bens de capital voltados à Indústria 4.0, incluindo robótica, inteligência artificial, internet das coisas (IoT), computação em nuvem e sensoriamento. Do total, R$ 10 bilhões virão do BNDES e R$ 2 bilhões da Finep, com juros entre 7,5% e 8,5% ao ano. O objetivo é modernizar o parque industrial brasileiro, que hoje opera com máquinas de idade média de 14 anos, segundo a CNI, o que compromete a produtividade do setor.

O financiamento permitirá que empresas de todos os portes invistam em máquinas e equipamentos de última geração, fortalecendo sua competitividade no mercado global. Para médias e grandes empresas, projetos de até R$ 300 milhões poderão ser financiados diretamente pelo BNDES, enquanto pequenos negócios terão acesso via rede credenciada. Segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, a medida é estratégica para reduzir custos e elevar a eficiência da indústria nacional. O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou que, além de modernizar a base produtiva, a iniciativa estimula as exportações e abre espaço para o Brasil disputar novos mercados.

Estadão: Como é a nova linha de crédito de R$ 12 bi para financiar tecnologias da Indústria 4.0 no Brasil

3. Brasil tem déficit de US$ 7,1 bi nas contas externas em julhos

O Banco Central informou que o Brasil registrou déficit de US$ 7,1 bilhões nas contas externas em julho de 2025, acima dos US$ 5,2 bilhões registrados no mesmo mês de 2024. Em 12 meses, o saldo negativo chegou a US$ 75,3 bilhões, equivalente a 3,5% do PIB. A balança comercial teve um superávit de US$ 6,5 bilhões, com exportações de US$ 32,6 bilhões (+4,8%) e importações de US$ 26,1 bilhões (+8,3%). Por sua vez, a conta de serviços teve déficit de US$ 5 bilhões, puxado por maiores gastos com viagens internacionais, telecomunicações e propriedade intelectual.

O relatório também mostrou déficit de US$ 8,9 bilhões em renda primária, 18,1% acima de julho de 2024, com destaque para lucros e dividendos enviados ao exterior. Por outro lado, os investimentos diretos no país somaram ingressos líquidos de US$ 8,3 bilhões, superando o valor de um ano antes. O IDP acumulado em 12 meses foi de US$ 68,2 bilhões, equivalente a 3,17% do PIB, enquanto os investimentos em carteira tiveram saídas líquidas de US$ 192 milhões em julho, mas seguem positivos no acumulado anual.

CNN Brasil: Brasil registra déficit de US$ 7,1 bilhões nas contas externas em julho

4. Brasil registra primeira deflação em dois anos com queda no IPCA-15

O IPCA-15, prévia da inflação oficial, caiu 0,14% em agosto, marcando a primeira deflação desde 2023. A queda foi puxada pelo recuo de quase 5% na energia elétrica, devido ao Bônus de Itaipu. Houve também retração em alimentação, transportes e comunicação, enquanto despesas pessoais, educação e saúde avançaram. No acumulado de 12 meses, o índice soma alta de 4,95%, abaixo da projeção do mercado, mas ainda acima da meta do Banco Central.

Especialistas avaliam que o alívio nos preços é temporário, influenciado por fatores sazonais e pela queda das commodities. O impacto das tarifas de 50% impostas pelos EUA ainda não foi sentido, devendo aparecer nos próximos meses. Mesmo com a deflação, o Copom deve manter a Selic em 15%, diante de pressões internas, como câmbio mais fraco e mercado de trabalho aquecido.

G1: IPCA-15: preços caem 0,14% em agosto, na primeira deflação em dois anos

5. BNDES lança nova fase do Floresta Viva com R$ 100 milhões para projetos ambientais

O BNDES abriu a segunda fase do programa Floresta Viva, destinando ao menos R$ 100 milhões para projetos de reflorestamento e preservação nos biomas Cerrado, Caatinga, Pantanal, Pampa e Mata Atlântica. O valor pode chegar a R$ 250 milhões com parcerias de entidades públicas e privadas, seguindo o modelo da primeira edição, que alavancou quase R$ 500 milhões em investimentos. A iniciativa prioriza a recuperação de nascentes, bacias hidrográficas e áreas em risco de desertificação, além de fortalecer a biodiversidade.

Diferente da primeira fase, o novo ciclo terá seleções públicas sucessivas, garantindo maior agilidade na aprovação dos projetos. Também prevê capacitação de organizações sociais ligadas a comunidades tradicionais, agricultores familiares e assentados da reforma agrária. Segundo o banco, a proposta busca unir preservação ambiental, geração de renda sustentável e regulação climática, com expectativa de apresentar resultados já durante a COP30, em novembro, em Belém (PA).

Agência Brasil: BNDES usará ao menos R$ 100 mi para financiar iniciativas ambientais