Brasil

3 de julho de 2026

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1. Governo anuncia retirada gradual de subsídios sobre combustíveis

A decisão ocorre após o acordo parcial entre Estados Unidos e Irã em relação à guerra no Oriente Médio e a normalização dos preços do petróleo no mercado internacional, que estão na casa dos US$ 70, valor mais próximo do patamar anterior ao conflito. A primeira medida anunciada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, foi a retirada da subvenção de R$ 0,35 por litro do diesel, que custava R$ 1,7 bilhão ao mês. O subsídio foi anunciado no fim de maio para substituir a desoneração do PIS/Cofins, anunciado em março e que venceria no fim daquele mês. A subvenção adicional de R$ 1,12 por litro para o mesmo combustível e o subsídio de R$ 0,44 por litro de gasolina também estão sendo reavaliados.

A iniciativa mira o equilíbrio fiscal e o cumprimento da meta de superávit primário de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), uma vez que o pacote de mitigação dos efeitos da guerra no Oriente Médio pode ter consumido até R$ 16 bilhões do orçamento deste ano. A retirada dos estímulos será feita de forma gradual e coordenada para evitar distorções nos preços ao consumidor. Nesse sentido, as análises preliminares da Agência Nacional do Petróleo (ANP) apontam para uma neutralidade de preços nas bombas, compensando a queda no valor do petróleo com o fim progressivo dos subsídios estatais.

O Globo: Governo inicia retirada gradual de subsídios sobre combustíveis que já custaram até R$ 16 bi aos cofres públicos

2. Mercosul planeja acordo com a China

Durante a 68ª cúpula do Mercosul em Assunção, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou que o bloco pretende iniciar em breve negociações comerciais com a China, além de lançar tratativas para uma parceria econômica com o Japão e avançar em diálogos com o Canadá, Índia e Vietnã. Em seu discurso, ele criticou “alinhamentos automáticos” e “escolhas excludentes” na política externa, defendendo a autonomia dos países da região. Paralelamente, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, fez duras críticas às “assimetrias” na divisão das cotas de exportação com tarifas reduzidas para a União Europeia, cobrando uma revisão na distribuição desses benefícios para que o bloco seja “justo para dentro” antes de buscar credibilidade externa.

A cúpula também foi marcada por gestos de solidariedade e apoio político na região sul-americana. A pedido de Lula, os chefes de Estado realizaram um minuto de silêncio pelas vítimas dos recentes terremotos na Venezuela, enquanto o presidente uruguaio, Yamandú Orsi, informou que ações conjuntas de ajuda humanitária já estão sendo coordenadas. Os membros do Mercosul também manifestaram apoio ao presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, repudiando as tentativas de desestabilização institucional no país, que enfrenta uma grave crise política e bloqueios rodoviários.

G1: Cúpula do Mercosul critica assimetrias com UE e prepara negociações com a China

3. Setor público consolidado registra déficit de R$ 56,1 bilhões em maio

O setor público consolidado – composto pelo governo central, estados, municípios e empresas estatais, exceto a Petrobras – registrou um déficit primário de R$ 56,131 bilhões em maio de 2026. O resultado representa uma forte reversão em relação ao superávit de R$ 24,642 bilhões obtido em abril, sendo também superior ao déficit de R$ 33,740 bilhões verificado em maio de 2025. O saldo negativo superou a mediana das expectativas do mercado financeiro, mapeadas pela pesquisa Projeções Broadcast, de R$ 53,900 bilhões, consolidando-se como o maior rombo para o mês de maio desde 2024, quando o saldo foi negativo em R$ 63,895 bilhões.

O desempenho de maio foi pressionado pelo déficit do governo central (Tesouro Nacional, Banco Central e INSS), que somou R$ 55,169 bilhões, somado ao saldo também negativo de R$ 1,236 bilhão de estados e municípios, sendo R$ 956 milhões o déficit de estados e R$ 280 milhões o déficit de municípios. A única contribuição positiva veio das empresas estatais, que registraram um superávit de R$ 237 milhões no período. Com esse resultado mensal, o setor público consolidado passa a acumular um déficit primário de R$ 24,883 bilhões de janeiro a maio, o equivalente a 0,45% do Produto Interno Bruto (PIB).

Estadão: Setor público tem déficit primário de R$ 56 bi em maio, acima do esperado; dívida vai a 81,1% do PIB

4. Governo lança “Desenrola Adimplentes” com juros subsidiados

O governo federal anunciou o lançamento do programa “Desenrola Adimplentes”, uma nova linha de crédito subsidiado voltada exclusivamente para trabalhadores informais que mantêm suas contas em dia ou possuem atrasos de no máximo 90 dias. Implementada por meio de medida provisória, a iniciativa surge menos de dois meses após o lançamento do programa para inadimplentes e foca em empréstimos pessoais sem garantia com saldo devedor de até R$ 15 mil. Para participar, o trabalhador informal deve ter pago pelo menos quatro parcelas da dívida original, que será integralmente quitada por meio de uma nova operação financeira de condições facilitadas.

A nova contratação estabelece uma taxa máxima de juros de 1,99% ao mês e impõe que a nova parcela não ultrapasse 90% do valor da prestação anterior. O prazo de pagamento será equivalente ao período restante da dívida original, com possibilidade de ampliação de um a seis meses, a depender do prazo remanescente. O programa também oferece a oportunidade de um crédito adicional de até 50% do saldo devedor original e conta com a cobertura do Fundo Garantidor de Operações (FGO). Paralelamente, o governo mantém o Desenrola 2.0 para inadimplentes, que permite renegociações de até R$ 15 mil com descontos de até 90% e autoriza o uso de até 20% do saldo do FGTS para a quitação dos débitos.

CNN Brasil: Desenrola adimplentes: Governo lança nova linha de crédito subsidiado

5. BC lança duplicata digital para modernizar mercado de crédito

O Banco Central (BC) lançou a duplicata escritural, uma versão totalmente digital do título de crédito utilizado em vendas a prazo entre empresas. O novo modelo centraliza todo o ciclo do documento – desde a emissão e negociação até o pagamento ou uso como garantia – em sistemas eletrônicos autorizados pela autoridade monetária. A iniciativa, que entra em fase de testes, visa transformar um mercado estimado em R$ 11 trilhões e que envolve cerca de 2 milhões de empresas emissoras. O objetivo principal do projeto é aumentar a segurança jurídica, reduzir custos operacionais e mitigar fraudes frequentes, como a duplicidade de recebíveis ou a emissão de títulos sem lastro real.

A transição para o ambiente digital promete facilitar o acesso ao crédito especialmente para pequenas e médias empresas (PMEs), que poderão utilizar seus recebíveis rastreáveis e auditáveis para antecipar recursos ou oferecer garantias robustas em financiamentos com menores taxas. O cronograma de implementação estabelecido pelo Banco Central será gradual e dividido pelo porte das corporações: as grandes empresas deverão aderir obrigatoriamente a partir de junho de 2027, seguidas pelas médias em dezembro de 2027, e pelas pequenas empresas em junho de 2028. Para especialistas, embora a tecnologia minimize riscos de fraudes, o novo ecossistema exigirá das organizações uma profunda integração interna entre as áreas financeira, fiscal, comercial e jurídica.

Diário do Comércio: Banco Central lança sistema de duplicatas digitais; especialistas apontam impactos para empresas