Brasil

30 de janeiro de 2026

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1. Selic é mantida em 15%, mas Banco Central sinaliza corte em março

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) se reuniu em janeiro de 2026 e, conforme amplamente projetado pelos economistas, a taxa básica de juros, a Selic, foi mantida em 15%. Essa decisão reflete a postura cautelosa da autoridade monetária para garantir o controle da inflação, ainda que o Banco Central tenha sinalizado em seu comunicado a possibilidade de um corte na Selic já em março. O mercado acompanha de perto esses movimentos, buscando clareza sobre o ritmo de relaxamento monetário.

Apesar da expectativa de manutenção inicial, o Boletim Focus do Banco Central já aponta para uma projeção da taxa Selic para 2028 revisada para 10%, indicando que o mercado antecipa juros elevados por um período mais longo. Essa política monetária restritiva é também apontada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) como um dos fatores que contribuem para a redução das projeções de crescimento econômico do Brasil para 2026.

Estadão: Copom de janeiro: Economistas projetam manutenção da Selic a 15%
Exame: Banco Central muda comunicado e sinaliza para corte da Selic em março

2. Impacto do Caso Master passa de R$50 bilhões e BC abre investigação interna

A quebra do Banco Master em 2025 continua a repercutir no sistema financeiro brasileiro, com um custo estimado já superando a marca de R$50 bilhões para o setor. Este evento acendeu um alerta e levou o Banco Central a abrir uma investigação interna para apurar as circunstâncias e responsabilidades relacionadas ao caso. A repercussão do incidente mobiliza o mercado, que busca entender os impactos e as medidas preventivas para cenários futuros.

Em decorrência de eventos como o do Banco Master e do Will Bank, os bancos brasileiros deverão aportar R$5,5 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Essa medida visa fortalecer a capacidade do FGC em proteger os depositantes e assegurar a estabilidade do sistema bancário, reforçando a confiança em meio a episódios de fragilidade em instituições financeiras.

Folha de S.Paulo: Quebra do Banco Master já custa mais de R$ 50 bilhões
O Globo: Banco Central abre investigação interna sobre caso Master

3. Inflação mostra sinais de desaceleração em janeiro de 2026

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou uma desaceleração notável em janeiro de 2026, com alta de apenas 0,20%, configurando a segunda menor elevação para o mês desde o Plano Real. A inflação acumulada em 12 meses, por sua vez, ficou em 4,5%, indicando um arrefecimento das pressões inflacionárias, o que sugere um cenário mais otimista. O Boletim Focus, do Banco Central, já apontava para uma ligeira melhora na expectativa de inflação para 2026, com o IPCA recuando para 4,02%.

Para 2025, dados mostram que a inflação impactou de forma desigual a população, sendo o efeito menor para os mais pobres e maior para os mais ricos. No entanto, a expectativa é que, em 2026, as taxas de inflação se tornem mais parecidas entre as diferentes faixas de renda, à medida que a política monetária segue atuando no controle dos preços.

CNN Brasil: FMI reduz projeção para crescimento econômico do Brasil em 2026

4. Déficit Brasileiro nas contas externas atinge US$ 68,6 bilhões em 2025

O Brasil registrou um déficit de US$ 68,6 bilhões nas suas contas externas em 2025, marcando um aumento significativo de 39% em relação ao ano anterior. Os dados divulgados pelo Banco Central revelam um cenário de maior dependência de financiamento externo para cobrir o desequilíbrio entre as receitas e despesas do país com o resto do mundo. Este saldo negativo reflete, em grande parte, o aumento da saída de recursos em transações correntes, como serviços e rendas.

Apesar de algumas divergências pontuais nos números finais reportados, a essência do quadro permanece: o Brasil precisa atrair mais investimentos e capital para compensar esse déficit crescente. A sustentabilidade das contas externas é um indicador crucial para a confiança dos investidores e para a estabilidade da economia nacional no médio e longo prazo.

O Globo: Brasil registra déficit de US$ 68,6 bilhões nas contas externas em 2025, aumento de 39%, mostra BC
Agência Brasil: Contas externas têm saldo negativo de US$ 68,8 bilhões em 2025

5. Milionários deixam o Brasil em 2025 e refletem tendência Latino-Americana

O Brasil presenciou a saída de 1.200 milionários em 2025, um movimento que se alinha com uma tendência crescente de migração de indivíduos de alta renda na América Latina. Essa “fuga de ricos” representa não apenas uma perda de capital para o país, mas também um questionamento sobre o ambiente de negócios, a segurança jurídica e a atratividade econômica para grandes fortunas.

A migração de milionários é um fenômeno complexo que pode ser influenciado por fatores como impostos, instabilidade política, qualidade de vida e oportunidades de investimento em outros mercados. A aceleração dessa tendência na região sinaliza um desafio para as economias locais em reter e atrair capital de alto valor, o que pode impactar o desenvolvimento e a acumulação de riqueza doméstica.

Bloomberg Línea: Brasil perdeu 1.200 milionários em 2025 e fuga de ricos de LatAm avança neste ano