Brasil

31 de julho de 2026

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1. Trump renova emergência contra o Brasil, mas medida não altera tarifas

O presidente Donald Trump prorrogou por mais um ano a emergência nacional declarada contra o Brasil, mantendo a base legal para sanções sob a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). A renovação, exigida pela legislação americana para evitar que a emergência expire, não cria novas penalidades nem amplia as medidas já existentes. Embora a IEEPA tenha sido usada anteriormente para aplicar sobretaxas de até 50% sobre produtos brasileiros, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou seu uso para fins tarifários. Assim, a decisão não deve produzir efeitos práticos sobre as exportações brasileiras.

A medida preserva a possibilidade de sanções financeiras contra autoridades brasileiras, como congelamento de bens. Ao justificar a renovação, a Casa Branca reiterou acusações de perseguição política a um ex-presidente brasileiro, censura e violações à liberdade de expressão pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Paralelamente, o Brasil continua sujeito a outras sobretaxas anunciadas em julho, que somam 37,5% e resultam de investigações do Escritório do Comércio dos EUA sobre supostas práticas comerciais desleais — incluindo o Pix e a moderação de redes sociais — e alegadas falhas no combate ao trabalho forçado.

Folha de S. Paulo: Trump prorroga decreto que mantém sanções ao Brasil, mas medida não deve ter efeito sobre tarifas

2. Dívida Pública Federal avança em junho e ultrapassa R$ 9 trilhões

A Dívida Pública Federal (DPF) subiu 2,66% em junho, passando de R$ 8,798 trilhões em maio para R$ 9,033 trilhões, impulsionada sobretudo pela emissão de títulos atrelados à taxa básica de juros, a Selic. O Tesouro Nacional emitiu R$ 143,35 bilhões a mais em títulos internos do que resgatou no período, além de incorporar R$ 85,16 bilhões em juros ao estoque da dívida. Com a Selic em 14,25% ao ano, a correção dos papéis eleva o endividamento público. A dívida externa avançou 2,12%, para R$ 347,71 bilhões, influenciada pela valorização de 2,37% do dólar no mês.

Apesar do aumento, o estoque permanece abaixo da faixa projetada pelo Plano Anual de Financiamento para o fim de 2026, entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões. O colchão da dívida, reserva financeira para enfrentar turbulências e vencimentos concentrados, atingiu R$ 1,346 trilhão, maior valor da série iniciada em 2015, equivalente a 8,33 meses de vencimentos. Os títulos vinculados à Selic passaram a representar 49,32% da dívida, enquanto o prazo médio caiu de 4,07 para 4,01 anos. Instituições financeiras seguem como principais detentoras dos títulos, com 31,76%, e a participação de investidores estrangeiros recuou de 10,14% para 9,95% em junho.

Agência Brasil: Dívida Pública sobe 2,61% em junho e supera R$ 9,2 trilhões

3. IPCA-15 sobe 0,06% em julho, menor alta para o mês desde 2023

A prévia da inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), avançou 0,06% em julho de 2026, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou abaixo da projeção de 0,22% do mercado e mostrou forte desaceleração frente aos 0,41% registrados em junho. Esta é a menor variação mensal desde julho de 2023, quando o índice recuou 0,07%. No acumulado do ano, a alta é de 3,51%; em 12 meses, o indicador soma 4,52%, abaixo dos 4,80% observados no período anterior.

A queda de 0,66% em Alimentação e Bebidas ajudou a conter a inflação no mês, após o grupo ter pressionado o índice em junho. Em sentido contrário, Habitação registrou alta de 0,97% e teve o maior impacto positivo, devido ao peso de 15,3% na composição do IPCA-15. Também subiram Saúde e Cuidados Pessoais, Artigos de Residência e Transportes, enquanto Vestuário, Educação e Comunicação apresentaram recuo. O indicador acompanha preços para famílias com renda entre um e 40 salários mínimos em regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e do município de Goiânia.

Exame: IPCA-15 de julho sobe 0,06% em julho, menor taxa para o mês desde 2023

4. Desemprego cai a 5,4% até junho, menor nível da série histórica

A taxa de desemprego no Brasil recuou de 6,1% no primeiro trimestre de 2026 para 5,4% no período até junho, o menor resultado para esse intervalo desde o início da série em 2012. O índice ficou em linha com as previsões do mercado e foi impulsionado pela criação de vagas, que elevou a população ocupada a 103,1 milhões de pessoas, recorde da pesquisa. O número de desempregados caiu 10,9%, para 5,9 milhões, com destaque para o crescimento das ocupações em administração pública, educação, saúde, transporte, armazenagem e correio.

Apesar do mercado ainda aquecido, economistas e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam sinais de desaceleração. A renda média real do trabalho ficou em R$ 3.738 mensais, baixa de 1,5% em relação ao trimestre anterior, considerada estabilidade estatística pelo instituto. O emprego formal no setor privado permaneceu praticamente estável em 39,4 milhões, mas no maior patamar da série. Analistas avaliam que juros elevados, incertezas relacionadas às eleições e a desaceleração da atividade podem moderar a geração de postos ao longo de 2026, embora a taxa de desemprego deva continuar em níveis historicamente baixos.

Folha de S. Paulo: Desemprego recua a 5,4% e tem menor taxa até junho na série histórica

5. Governo estende adesão ao Desenrola 2.0 até 31 de agosto

O governo federal vai prorrogar até 31 de agosto o prazo de adesão ao Desenrola 2.0, programa de renegociação de dívidas voltado a brasileiros com renda de até cinco salários mínimos. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a medida permitirá que mais pessoas regularizem pendências, inclusive antes de buscar crédito para compra de carros e motos. O programa já realizou cerca de 3,6 milhões de renegociações até o fim de junho, envolvendo mais de R$ 22 bilhões em dívidas, reduzidas para aproximadamente R$ 4 bilhões. A expectativa é beneficiar 10 milhões de famílias, ante mais de 9 milhões já atendidas.

Lançado em maio, o Desenrola 2.0 permite renegociar dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026, atrasadas entre 90 dias e dois anos, como débitos de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. As condições incluem juros de até 1,99% ao mês e descontos de 30% a 90% sobre o valor principal, além da possibilidade de uso de até 20% do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) ou R$ 1 mil — o que for maior — para quitação.

G1: Governo prorroga adesão ao Desenrola 2.0 até 31 de agosto; programa renegocia dívidas